Carne sem desmate: certificação brasileira atrai mercado chinês
A certificação de carne sem desmate, liderada pelo Imaflora, está atraindo atenção internacional, especialmente do mercado chinês. O programa Beef on Track visa atender à crescente demanda por produtos sustentáveis, mantendo preços estáveis.
A certificação Beef on Track (BoT) da Imaflora garante que a carne bovina brasileira é livre de desmatamento, respondendo à demanda do mercado chinês por produtos sustentáveis. Lançada em outubro, a iniciativa utiliza protocolos existentes para não aumentar custos e já resultou em compras significativas da China, promovendo práticas responsáveis na pecuária brasileira.
Lançamento do Beef on Track
O Beef on Track é uma iniciativa inovadora que busca certificar a carne bovina brasileira como livre de desmatamento, atendendo à crescente demanda por produtos sustentáveis.
Lançado pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), o programa foi oficialmente apresentado em 21 de outubro, poucos dias antes da COP30 em Belém.
O selo de certificação será aplicado à cadeia de compra, abrangendo frigoríficos e curtumes, sem a necessidade de auditoria direta nas fazendas.
Cada planta de abate será auditada anualmente, garantindo que os processos estejam em conformidade com os padrões de sustentabilidade exigidos.
Essa abordagem permite que o Beef on Track mantenha a simplicidade e a eficácia, facilitando a adesão das unidades de abate.
O programa utiliza protocolos já existentes, como o Boi na Linha e o Protocolo do Cerrado, para garantir a conformidade com práticas sustentáveis.
Frigoríficos que atingem 95% de conformidade com esses protocolos são automaticamente elegíveis para a certificação.
Essa estratégia visa assegurar que a produção de carne bovina não contribua para o desmatamento, alinhando-se às metas globais de sustentabilidade e atraindo o interesse de mercados internacionais, como o chinês.
Demanda do mercado chinês
A demanda do mercado chinês por carne bovina sustentável tem crescido significativamente, impulsionada por mudanças nos hábitos alimentares e por um compromisso crescente com a sustentabilidade.
A China, um dos maiores importadores de carne bovina brasileira, está cada vez mais interessada em produtos que não estejam associados ao desmatamento e à ilegalidade ambiental.
Segundo a Tianjin Meat Association, que representa empresas importadoras chinesas, a expectativa é de que a demanda por carne bovina brasileira aumente nos próximos anos.
Isso se deve, em parte, à mudança na estrutura alimentar da população chinesa, que está consumindo mais proteína animal, com uma preferência crescente por carne bovina entre os jovens.
O interesse chinês na certificação Beef on Track reflete essa tendência, com a entidade já confirmando a compra de pelo menos 50 mil toneladas de carne certificada até junho de 2026.
Essa procura por carne sustentável não só fortalece a parceria comercial entre Brasil e China, mas também incentiva práticas mais responsáveis na produção agropecuária brasileira.



