Saúde, Segurança e Meio Ambiente

Brasil pode antecipar neutralidade climática para 2040

O Brasil tem a meta de zerar o desmatamento até 2030 e antecipar a neutralidade climática para 2040, com estratégias que incluem a restauração produtiva e a eletrificação do transporte.

O Brasil pode alcançar a neutralidade climática até 2040, antecipando em uma década sua meta atual. Um estudo, coordenado pelo Instituto Amazônia 4.0 e apresentado na COP30, indica que o país tem condições técnicas para zerar o desmatamento até 2030.

Cenários para a transição climática

Pesquisadores propuseram dois cenários distintos para que o Brasil acelere sua transição climática. O primeiro, chamado AFOLU 2040, foca no uso da terra e na agropecuária.

Este plano visa alcançar o desmatamento zero até 2030, promovendo a restauração de ecossistemas e a agricultura regenerativa, transformando o setor agropecuário em um sumidouro de carbono.

O segundo cenário, ENERGY 2040, aposta na transformação energética. Ele prevê uma rápida redução na demanda por petróleo, eliminação do setor até 2040 e a expansão de energias renováveis, como solar, eólica e biomassa.

Tecnologias como BECCS, que combinam bioenergia com captura e armazenamento de carbono, são centrais nesse plano.

Ambos os cenários visam alcançar a neutralidade climática até 2040, mostrando caminhos viáveis para o Brasil liderar a luta contra as mudanças climáticas.

A escolha entre os cenários ou a combinação de ambos dependerá de decisões políticas e da mobilização de recursos.

Estratégias para desmatamento zero

O Brasil tem potencial para alcançar o desmatamento zero até 2030, mas isso requer a superação de desafios culturais e estruturais.

Para atingir essa meta, é necessário adotar modelos de restauração produtiva que integrem espécies de madeira, sementes, frutas e sistemas agroflorestais.

Esses modelos não apenas promovem a conservação da floresta, mas também tornam a região economicamente viável, contribuindo para a bioeconomia brasileira.

A mudança de paradigma é essencial, pois o desenvolvimento histórico da Amazônia foi baseado na supressão florestal.

Reconstruir essa lógica significa investir em educação ambiental contínua e crítica, que é fundamental para convencer as novas gerações sobre a importância da preservação.

Desafios e soluções para o transporte

O setor de transporte é um dos principais desafios para a descarbonização no Brasil, responsável por 70% das emissões de combustíveis fósseis.

Para enfrentar esse desafio, o modelo proposto inclui a eletrificação do transporte e o investimento em transporte público de qualidade. Incentivar o uso de veículos coletivos movidos a biodiesel ou eletricidade é uma das soluções apontadas.

Belém, sede da COP30, serve como exemplo de mudança viável. A cidade demonstrou que, quando o transporte público é digno e climatizado, a adesão da população é significativa.

Essa abordagem pode ser replicada em outras regiões para reduzir as emissões e melhorar a qualidade de vida urbana.

Fonte: Um Só Planeta

Gabriele Noda

Colunista no segmento Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) | Gabriele Noda é Supervisora de Customer Success e possui mais de 8 anos de experiência no mercado industrial, o que a capacita a traduzir dados científicos em análises acessíveis sobre saúde, segurança e meio ambiente.

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