Educação e Carreiras

Idosos no trabalho: participação cresce, desigualdades também

Em 2024, 25% dos idosos no Brasil estavam no mercado de trabalho, evidenciando transformações demográficas e econômicas. As disparidades de gênero e raça persistem, com homens e brancos recebendo salários mais altos. A pandemia afetou a ocupação, mas a recuperação foi observada em 2022.

Em 2024, a presença de idosos no trabalho atingiu novos patamares, com cerca de 1 a cada 4 pessoas idosas ocupadas, segundo dados do IBGE. Este fenômeno reflete mudanças demográficas e econômicas significativas. As desigualdades de gênero e raça continuam a influenciar o mercado, enquanto a pandemia deixou marcas duradouras na ocupação dos idosos.

Crescimento da população idosa no mercado

O crescimento da população idosa no mercado de trabalho brasileiro é um fenômeno notável nos últimos anos. Entre 2012 e 2024, o número de idosos com 60 anos ou mais aumentou significativamente, passando de 22 milhões para 34,1 milhões, um crescimento de 53,3%.

Esse aumento na participação dos idosos no mercado de trabalho pode ser atribuído a vários fatores, incluindo a reforma da Previdência de 2019, que elevou a idade mínima para aposentadoria, e o aumento da expectativa de vida.

Além disso, muitos idosos continuam a trabalhar por necessidade financeira, especialmente em um cenário de alta informalidade no mercado de trabalho.

Em 2024, aproximadamente 24,4% dos idosos estavam ocupados, com uma participação maior entre os homens (34,2%) do que entre as mulheres (16,7%).

A tendência de crescimento reflete não apenas a necessidade econômica, mas também a busca por manter-se ativo e socialmente engajado.

O trabalho por conta própria é uma das principais formas de ocupação para os idosos, representando 43,3% das posições ocupadas por essa faixa etária.

Essa modalidade de trabalho oferece flexibilidade e autonomia, características valorizadas por muitos idosos que desejam continuar contribuindo para o mercado de trabalho.

Diferenças de gênero e rendimento

As diferenças de gênero e rendimento no mercado de trabalho são questões persistentes, especialmente entre a população idosa.

Em 2024, os homens idosos continuaram a receber rendimentos significativamente maiores do que as mulheres idosas. O rendimento médio real habitual dos homens idosos foi de R$ 4.071, enquanto o das mulheres idosas foi de R$ 2.718, uma diferença de 33,2%.

Essas disparidades refletem não apenas as desigualdades históricas de gênero no mercado de trabalho, mas também as diferenças nas trajetórias de carreira e nas oportunidades de emprego ao longo da vida.

As mulheres, muitas vezes, enfrentam interrupções em suas carreiras para cuidar da família, o que pode impactar negativamente seus rendimentos na aposentadoria.

Além disso, as desigualdades de gênero são exacerbadas por questões raciais. As mulheres idosas pretas ou pardas, por exemplo, enfrentam desafios ainda maiores, com rendimentos médios de R$ 2.403, 48,7% menores do que os das mulheres brancas.

Essas disparidades indicam a necessidade de políticas públicas que promovam a equidade de gênero e raça no mercado de trabalho.

Apesar dos desafios, a presença crescente de mulheres idosas no mercado de trabalho é um sinal positivo de que mais mulheres estão buscando e encontrando oportunidades de emprego, mesmo em idades mais avançadas.

Impactos da pandemia na ocupação

Os impactos da pandemia de COVID-19 na ocupação dos idosos foram significativos, alterando as dinâmicas do mercado de trabalho de forma profunda.

Durante os anos de 2020 e 2021, o nível de ocupação dos idosos caiu para 19,8% e 19,9%, respectivamente, devido às medidas de isolamento social e ao risco elevado para a saúde dessa faixa etária.

O medo da contaminação e as restrições impostas pela pandemia levaram muitos idosos a se afastarem do mercado de trabalho, especialmente aqueles em empregos que não permitiam o trabalho remoto.

Como resultado, houve uma redução considerável na participação dos idosos na força de trabalho durante o período mais crítico da pandemia.

No entanto, a partir de 2022, observou-se uma recuperação gradual, com o nível de ocupação dos idosos subindo para 21,3% e, posteriormente, para 23,0% em 2023, atingindo 24,4% em 2024.

Essa recuperação foi impulsionada pela reabertura econômica e pela adaptação de muitos setores às novas condições de trabalho.

Apesar da recuperação, os efeitos da pandemia ainda são sentidos, especialmente entre os idosos que perderam seus empregos e enfrentam dificuldades para se recolocar no mercado.

A pandemia também destacou a importância de políticas de proteção social e de saúde voltadas para a população idosa, garantindo sua segurança e bem-estar no ambiente de trabalho.

Amanda Cortonezi Silva

Colunista no segmento Educação e Carreiras | Coordenadora de Redação, especialista em Marketing de Conteúdo e tem mais de 7 anos de experiência em liderança. Possui forte conhecimento em desenvolvimento profissional, recrutamanto, formação de áreas, treinamento de equipes e educação corporativa.

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