Solo da Amazônia reúne mais da metade do carbono orgânico do país
O MapBiomas Solo revelou que o Brasil possui um estoque de 37,5 gigatoneladas de carbono orgânico no solo, com a Amazônia concentrando mais de 52% desse total. A textura do solo, que varia entre argilosa e arenosa, afeta o armazenamento de carbono, e o repositório SoilData oferece dados detalhados para pesquisa e gestão sustentável do solo.
A plataforma MapBiomas Solo revelou dados inéditos sobre o estoque de carbono orgânico no solo brasileiro, totalizando 37,5 gigatoneladas. Com uma média de 44,1 toneladas por hectare, a Amazônia concentra mais da metade desse estoque. Esses dados oferecem novos insights sobre a textura, composição e uso do solo em todo o território nacional.
Estoque de carbono no solo brasileiro
O MapBiomas Solo divulgou uma nova coleção de dados que detalha o armazenamento de carbono no solo brasileiro e reforça a importância do país na regulação climática.
As estimativas apontam que a camada superficial dos solos, até 30 centímetros de profundidade, concentra 37,5 gigatoneladas de carbono orgânico, com a Amazônia respondendo por mais da metade desse volume.
A Mata Atlântica apresenta a maior média por hectare (53,4 t/ha), seguida pela Amazônia (46,3 t/ha) e pelo Pampa (43,7 t/ha), com valores mais elevados em áreas de várzea e regiões costeiras.
A análise ajuda a compreender como diferentes formações vegetais e usos da terra influenciam o papel do solo na mitigação de gases de efeito estufa e na manutenção da fertilidade dos ecossistemas.
A plataforma também detalha a composição física dos solos, revelando que texturas médias predominam na maior parte do território, enquanto solos argilosos ocupam quase um terço do país.
Regiões com maior teor de argila, como a Mata Atlântica, apresentam melhores condições para agricultura intensiva devido à maior retenção de água e nutrientes.
Já biomas com solos arenosos, como Cerrado, Caatinga e Pantanal, enfrentam limitações para atividades agrícolas por armazenarem menos água e nutrientes.
Entre 1985 e 2024, o avanço das pastagens ocorreu sobretudo sobre áreas de textura média e arenosa, enquanto a agricultura se expandiu em solos pouco pedregosos.
A silvicultura se estabeleceu em terrenos mais pedregosos, onde espécies florestais adaptadas encontram condições favoráveis. Essas informações oferecem base técnica para orientar políticas de conservação, planejamento territorial e uso sustentável dos recursos naturais.
Repositório público de amostras de solo
O repositório público de amostras de solo do MapBiomas Solo representa um avanço significativo na disponibilização de dados sobre solos brasileiros.
A plataforma SoilData, parte integrante do MapBiomas, oferece acesso aberto a um vasto conjunto de dados de pesquisa em solos, coletados em mais de 15 mil pontos de coleta em todo o país.
Os usuários podem navegar pela plataforma para localizar amostras de solo coletadas por pesquisadores e técnicos, bem como descarregar dados para uso em suas atividades.
Entre as informações disponíveis estão dados de textura do solo, como argila, silte e areia, além de carbono orgânico, densidade do solo e volume de fragmentos grossos.
Com mais de 45 mil amostras disponíveis, o repositório é um recurso valioso para pesquisadores, gestores públicos, consultores e produtores rurais.
Ele permite a identificação de lacunas de monitoramento, a comparação de resultados de diferentes regiões e o acesso a dados de referência essenciais para a pesquisa e o planejamento territorial.
A missão do repositório é salvaguardar os dados de pesquisa em solos realizados no Brasil, assegurar o reconhecimento dos autores e facilitar o reuso das informações.
Com essa iniciativa, o MapBiomas Solo contribui para a preservação e o avanço do conhecimento sobre solos no país, promovendo a sustentabilidade e o uso responsável dos recursos naturais.
Fonte: MapBiomas



