Indicações Geográficas dobram e valorizam produtos regionais

Nos últimos cinco anos, o Brasil dobrou suas Indicações Geográficas (IGs), alcançando 151 registros até 2026, o que fortalece a identidade regional e a economia local.
As Indicações Geográficas no Brasil mais que dobraram nos últimos cinco anos, revelando um importante movimento de valorização da identidade regional e fortalecimento econômico. Com 151 IGs registradas até janeiro de 2026, o país destaca a importância de produtos que carregam a história e o sabor de seus territórios, como as tortas de Carambeí e o mel de melato de Bracatinga.
Crescimento das Indicações Geográficas no Brasil
O número de Indicações Geográficas no Brasil avançou de forma expressiva nos últimos anos, evidenciando a valorização de produtos associados à origem e às características de seus territórios.
Em 2020, o país contava com 73 registros reconhecidos pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Esse total chegou a 151 certificações até janeiro de 2026, mais que dobrando em pouco mais de cinco anos.
A expansão está ligada a iniciativas voltadas à organização produtiva e à estruturação de territórios com potencial para obter o reconhecimento.
Desde o início dos anos 2000, ações de apoio vêm sendo direcionadas à identificação dessas regiões, com a realização de diagnósticos técnicos e a orientação de produtores na construção dos requisitos exigidos para o registro.
A obtenção de uma Indicação Geográfica envolve um processo detalhado, que inclui a mobilização dos produtores locais, a definição de regras de uso do selo, a criação de mecanismos de governança e a comprovação das características que diferenciam o produto.
Entre a preparação da documentação e a análise pelo INPI, o procedimento pode se estender por até 30 meses.
Nos últimos anos, as iniciativas de suporte foram ampliadas, com maior ênfase na consolidação da governança das IGs já reconhecidas e na implantação de sistemas de controle da produção.
Também ganharam espaço ações voltadas à inserção desses produtos em novos mercados, por meio de rodadas de negócios e programas de aproximação com compradores internacionais.
Esse conjunto de esforços tem contribuído para fortalecer a visibilidade das Indicações Geográficas brasileiras, ampliar o valor agregado dos produtos certificados e consolidar as IGs como instrumento de desenvolvimento econômico regional.
Impacto econômico das IGs nas regiões produtoras
As Indicações Geográficas (IGs) têm se consolidado como um instrumento estratégico para o desenvolvimento econômico de regiões produtoras no Brasil.
Ao reconhecer oficialmente a origem e as características específicas de produtos ligados a determinado território, o selo agrega valor, fortalece a identidade regional e amplia a competitividade no mercado.
O impacto econômico das IGs se reflete, em primeiro lugar, na valorização dos produtos. Itens certificados tendem a alcançar melhores preços e a conquistar novos mercados, tanto no Brasil quanto no exterior, ao oferecer ao consumidor garantias de qualidade, procedência e métodos de produção diferenciados.
Esse reconhecimento contribui para o aumento da renda dos produtores e para a profissionalização das cadeias produtivas locais.
Outro efeito relevante está no fortalecimento da organização coletiva. Para obter e manter uma Indicação Geográfica, produtores precisam atuar de forma cooperativa, adotando padrões comuns e investindo em governança.
Esse processo estimula a melhoria da gestão, o acesso a capacitação técnica e a adoção de boas práticas produtivas, com reflexos diretos na eficiência econômica.
As IGs também impulsionam atividades complementares, como o turismo e os serviços associados à gastronomia e à cultura local.
Regiões reconhecidas pela produção de alimentos, bebidas ou artesanatos típicos tendem a atrair visitantes interessados na experiência de origem, o que amplia o fluxo econômico e gera empregos em setores como hospedagem, comércio e alimentação.
Além disso, o reconhecimento por Indicação Geográfica contribui para a fixação do produtor no território, reduzindo a migração para centros urbanos e promovendo o desenvolvimento regional mais equilibrado.
Ao associar valor econômico à preservação de saberes tradicionais e ao uso responsável dos recursos locais, as IGs reforçam modelos de crescimento baseados na identidade e na sustentabilidade.
Com esses efeitos combinados, as Indicações Geográficas se consolidam como uma ferramenta capaz de integrar desenvolvimento econômico, valorização cultural e fortalecimento das economias locais, ampliando o protagonismo das regiões produtoras no cenário nacional e internacional.
Fonte: Agência Sebrae



