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Economistas subestimam o custo climático? Descubra agora

Estudos recentes mostram que o custo econômico das mudanças climáticas pode ser muito maior do que o previsto, com o aumento de 1°C na temperatura global podendo reduzir o PIB per capita mundial em até 30%.

O custo climático tem sido um tema central nas discussões econômicas e políticas. Estudos recentes indicam que os impactos econômicos do aquecimento global podem ser significativamente maiores do que se pensava, sugerindo uma revisão nas políticas de precificação de carbono. Isso pode transformar debates e decisões em nível global.

Mudanças climáticas podem reduzir PIB global em até 50%

O impacto econômico das mudanças climáticas pode ser muito mais severo do que o estimado até agora, segundo novas análises de economistas.

Modelos tradicionais amplamente utilizados indicam que um aumento permanente de 1°C na temperatura global reduziria o PIB mundial entre 1% e 3%, baseando políticas como o cálculo do custo social do carbono e justificando preços de emissões entre US$ 100 e US$ 200 por tonelada.

No entanto, um novo estudo dos economistas Adrien Bilal e Diego R. Känzig, publicado pelo National Bureau of Economic Research, aponta para um cenário bem mais crítico.

Segundo a pesquisa, um aumento de 1°C pode provocar uma queda superior a 20% no PIB per capita global a longo prazo, podendo chegar a 30% em algumas estimativas.

Os efeitos também seriam progressivos. Após um aumento inicial de 1°C, a produção global cairia entre 2% e 3% nos primeiros anos, mas a retração poderia se aprofundar para 12% a 18% ao longo de cinco a seis anos.

Parte dessas perdas tende a ser permanente, afetando a produtividade e a capacidade de crescimento das economias.

Em cenários mais extremos, o impacto pode ser ainda maior. Caso a temperatura global suba cerca de 2°C até 2100, o PIB per capita mundial pode cair mais de 50% em comparação com um cenário sem aquecimento.

Os resultados indicam que os riscos econômicos associados ao aumento das temperaturas podem estar sendo subestimados, ampliando o debate sobre a urgência de medidas mais rigorosas para conter as mudanças climáticas.

Temperatura global vs local

A diferença fundamental entre as novas descobertas e as pesquisas anteriores reside na escolha do indicador de temperatura relevante.

Estudos anteriores focaram principalmente nas variações de temperatura local, analisando como um ano mais quente do que o usual afeta a produção agrícola ou a produtividade do trabalho em um país específico.

No entanto, os autores do novo estudo argumentam que a mudança climática é uma transformação sistêmica do sistema climático da Terra, e não apenas uma coleção de anomalias climáticas locais.

Os pesquisadores examinaram as flutuações na temperatura média global, descobrindo que ela está fortemente correlacionada com o aumento de eventos climáticos extremos, como secas, ondas de calor, precipitações intensas e ventos extremos.

O aquecimento dos oceanos, em particular, parece ser um dos principais impulsionadores do impacto econômico agregado.

Em contrapartida, os choques de temperatura local mostram ligações mais fracas com esses extremos, indicando que a temperatura global é um indicador mais relevante para avaliar os riscos econômicos do clima.

Implicações para precificação de carbono

As novas projeções sobre os impactos econômicos das mudanças climáticas podem alterar de forma significativa a forma como governos definem o preço das emissões de carbono.

O chamado Custo Social do Carbono (SCC), indicador utilizado para medir os prejuízos causados pela liberação de CO₂ na atmosfera, tende a ganhar maior relevância diante dessas estimativas mais elevadas de dano econômico.

Na prática, instrumentos como impostos sobre carbono ou sistemas de comércio de emissões buscam atribuir um valor financeiro à poluição, tornando-a mais cara.

A lógica é estimular empresas e consumidores a reduzirem suas emissões e adotarem alternativas mais sustentáveis, como fontes de energia limpa e tecnologias menos poluentes.

Com base nos novos cálculos, o custo real das emissões pode ser muito superior ao considerado atualmente. As estimativas indicam valores acima de US$ 1.200 por tonelada de carbono, bem acima dos níveis praticados hoje em diversos mercados.

Para efeito de comparação, o sistema europeu de comércio de emissões tem operado com preços próximos de 80 euros (cerca de US$ 93) por tonelada, enquanto outros países adotam valores ainda mais baixos.

Caso esses números se confirmem, isso sugere que os modelos atuais estão subestimando o impacto econômico das emissões.

Nesse cenário, políticas mais rigorosas de redução de carbono poderiam deixar de ser vistas apenas como um custo e passar a representar um benefício econômico direto, especialmente para grandes economias, que teriam ganhos próprios ao reduzir os danos associados às mudanças climáticas.

Fonte: Earth.Org

Willian Souza

Colunista no segmento Cases e Análises | C.O.O. no Grupo Ideal Trends, com ampla experiência como líder de operações e gerente de projetos. Também possui vasta experiência em marketing digital, tecnologia, inovações, gerenciamento de equipes, análise estratégica de mercados e competitividade industrial.

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