Cases e Análises

Poluição por amônia avança em regiões com criação intensiva de animais

A poluição por amônia no Reino Unido, especialmente em áreas com criações intensivas de suínos e aves, representa um risco à saúde humana e ao meio ambiente, pois suas emissões geram partículas nocivas no ar, associadas a doenças respiratórias e cardiovasculares.

A poluição por amônia, concentrada em áreas com alta densidade de fazendas intensivas de suínos e aves no Reino Unido, está gerando preocupações significativas. Estudos da Compassion in World Farming (CiWF) e da Sustain mostram que essas emissões, que reagem no ar formando partículas perigosas, são uma ameaça à saúde humana e ao meio ambiente. As autoridades enfrentam desafios para equilibrar a expansão agrícola com a proteção ambiental.

Poluição por amônia aumenta com pecuária intensiva

Um levantamento recente identificou áreas com maior concentração de poluição por amônia, associadas principalmente à atividade pecuária intensiva.

Regiões como Lincolnshire, Herefordshire e Norfolk aparecem entre as mais afetadas, impulsionadas pela alta densidade de criações industriais de aves e suínos.

De acordo com pesquisadores das organizações Compassion in World Farming (CiWF) e Sustain, a expansão desse modelo de produção tem elevado os níveis de emissões, trazendo riscos ao meio ambiente e à qualidade do ar.

A amônia liberada nesses processos pode se dispersar na atmosfera e contribuir para a formação de partículas poluentes, além de impactar ecossistemas locais.

Nos vales dos rios Wye e Severn, o avanço de grandes unidades de criação de aves intensificou também a contaminação hídrica.

Os resíduos gerados pela atividade, especialmente os dejetos de galinha, possuem alta concentração de fosfatos, substâncias que reduzem o oxigênio na água e comprometem a sobrevivência de peixes e plantas aquáticas.

O cenário evidencia a relação direta entre a intensificação da produção animal e o aumento da poluição ambiental, levantando preocupações sobre os impactos a longo prazo para os recursos naturais e a biodiversidade.

Impactos da poluição por amônia na saúde humana

A poluição por amônia tem consequências significativas para a saúde humana. Quando liberada no ar, a amônia reage com outros poluentes para formar material particulado fino (PM2.5), uma das formas mais perigosas de poluição do ar.

Esse material é capaz de penetrar profundamente nos pulmões e na corrente sanguínea, aumentando o risco de doenças cardiovasculares e respiratórias.

Estudos indicam que a exposição prolongada ao PM2.5 está associada a doenças como asma, doenças pulmonares crônicas, acidente vascular cerebral e doenças cardíacas.

Em 2010, estimou-se que a exposição ao PM2.5 de origem humana foi responsável por cerca de 29.000 mortes prematuras no Reino Unido.

Os efeitos são mais pronunciados em populações vulneráveis, incluindo crianças, idosos e pessoas com condições de saúde preexistentes.

Além disso, a poluição por amônia contribui para a acidificação do solo e a poluição de rios, impactando negativamente o meio ambiente e, indiretamente, a saúde humana.

Especialistas alertam que a redução das emissões agrícolas de amônia poderia diminuir significativamente as taxas de mortalidade associadas à poluição do ar, destacando a importância de medidas regulatórias e de controle mais rígidas para proteger a saúde pública.

Medidas para reduzir emissões de amônia na agricultura

Reduzir as emissões de amônia na agricultura é crucial para minimizar os impactos ambientais e de saúde pública. Existem várias estratégias que podem ser implementadas para alcançar esse objetivo.

Uma das principais abordagens é a melhoria da gestão de dejetos de animais. Isso inclui técnicas como a cobertura de tanques de armazenamento de esterco, que ajudam a reduzir a liberação de amônia na atmosfera.

Além disso, a compostagem controlada e o tratamento anaeróbico podem diminuir significativamente as emissões.

A otimização do uso de fertilizantes é outra medida eficaz. Aplicar fertilizantes nitrogenados de forma mais precisa e em menor quantidade pode reduzir a volatilização de amônia.

O uso de inibidores de urease e nitrificação também pode diminuir as perdas de nitrogênio para o ambiente.

Além disso, a adaptação de práticas alimentares para o gado, como a inclusão de aditivos alimentares que reduzem a excreção de nitrogênio, pode ser uma solução viável.

A seleção de raças de animais mais eficientes na utilização de nutrientes também contribui para a redução das emissões.

Por fim, políticas governamentais que incentivem práticas agrícolas sustentáveis e a implementação de regulamentos mais rígidos são essenciais para garantir a redução das emissões de amônia na agricultura.

A conscientização e o treinamento dos agricultores sobre as melhores práticas também desempenham um papel importante na mitigação desse problema.

Fonte: The Guardian

Willian Souza

Colunista no segmento Cases e Análises | C.O.O. no Grupo Ideal Trends, com ampla experiência como líder de operações e gerente de projetos. Também possui vasta experiência em marketing digital, tecnologia, inovações, gerenciamento de equipes, análise estratégica de mercados e competitividade industrial.

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