Saúde, Segurança e Meio Ambiente

Quase 20% dos estabelecimentos de saúde no Brasil usam IA

Estabelecimentos de saúde no Brasil começam a incorporar inteligência artificial em diferentes etapas da rotina assistencial e administrativa. O avanço aparece em ferramentas voltadas à organização de dados e apoio ao atendimento.

Uma pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), aponta que 18% dos estabelecimentos de saúde no país já utilizam inteligência artificial. O levantamento mostra que a adoção é mais frequente em unidades maiores e privadas, especialmente em atividades ligadas à automação de processos, análise de informações e interação com usuários.

Adoção de IA em diferentes tipos de estabelecimentos

A adoção de inteligência artificial nos estabelecimentos de saúde brasileiros ainda ocorre de forma desigual, segundo levantamento do Cetic.br.

A pesquisa mostra que o uso dessas tecnologias é mais frequente em unidades de maior porte e em serviços especializados, enquanto estruturas menores avançam em ritmo mais lento.

Os estabelecimentos com internação e mais de 50 leitos lideram a incorporação de soluções de IA, com 31% de uso declarado.

O índice fica acima da média nacional e indica maior capacidade dessas instituições para investir em ferramentas digitais aplicadas à gestão, ao atendimento e ao apoio clínico.

Os Serviços de Apoio à Diagnose e Terapia, conhecidos como SADT, também aparecem entre os segmentos com maior presença da tecnologia.

Nesse grupo, 29% dos estabelecimentos afirmaram utilizar inteligência artificial, o que pode estar relacionado à necessidade de aprimorar exames, análises e processos que auxiliam diagnósticos e tratamentos.

Já as unidades com internação de até 50 leitos e os estabelecimentos sem internação registraram taxa de 17%, influenciada por restrições orçamentárias, menor acesso a infraestrutura tecnológica e prioridades operacionais distintas.

Principais tecnologias de IA utilizadas

Nos serviços de saúde que já incorporaram inteligência artificial, as soluções mais comuns são os aplicativos generativos, como ChatGPT e Gemini.

Eles aparecem em 76% das unidades que utilizam IA e costumam apoiar tarefas ligadas à produção, organização e consulta de informações.

Outro grupo relevante envolve sistemas de mineração de texto e análise de linguagem, presentes em 52% dos estabelecimentos.

Essas ferramentas permitem trabalhar com bases textuais extensas, facilitando a leitura de registros, documentos e outros conteúdos usados nas rotinas institucionais.

A automação de fluxos de trabalho também ocupa espaço importante, com adoção por 48% das unidades. Na prática, esse tipo de recurso pode reduzir tarefas repetitivas, acelerar procedimentos internos e melhorar a gestão de atividades administrativas ou assistenciais.

Tecnologias de reconhecimento de fala são utilizadas por 26% dos estabelecimentos, enquanto recursos de leitura e processamento de sinais e imagens aparecem em 17%.

Já a aprendizagem de máquina foi citada por 15% das unidades, indicando uso ainda mais restrito em aplicações voltadas à previsão, análise avançada e apoio à personalização de cuidados.

Gabriele Noda

Colunista no segmento Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) | Gabriele Noda é Supervisora de Customer Success e possui mais de 8 anos de experiência no mercado industrial, o que a capacita a traduzir dados científicos em análises acessíveis sobre saúde, segurança e meio ambiente.

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