Indústria e Tendências

Petrobras e Transpetro investem em barcaças e novos poços no Amazonas até 2030

Os investimentos em barcaças e novos poços no Amazonas fazem parte de uma estratégia da Petrobras e da Transpetro para reforçar a operação energética na região.

A Petrobras e a Transpetro anunciaram um pacote de investimentos superior a R$ 2,8 bilhões para o Amazonas, com projetos voltados à logística de combustíveis, produção energética e fortalecimento da infraestrutura regional até 2030. As iniciativas incluem a construção de embarcações em Manaus e a retomada de aportes no Polo Urucu, considerado estratégico para o abastecimento de gás natural, GLP e outros insumos energéticos na Região Norte.

Barcaças ampliam estrutura logística da Transpetro

A Transpetro encomendou 18 barcaças ao Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, em Manaus, em um contrato de R$ 303,5 milhões voltado ao transporte de combustível marítimo.

As embarcações fazem parte do Programa Mar Aberto, iniciativa criada para renovar e ampliar a frota própria do Sistema Petrobras, com o objetivo de reduzir custos logísticos e tornar a operação mais integrada.

O projeto prevê barcaças sem propulsão própria, movimentadas por empurradores contratados separadamente, que atuarão em operações de abastecimento em portos estratégicos do país.

Segundo a companhia, as novas unidades poderão transportar diferentes combustíveis em tanques dedicados ou segregados, o que amplia a flexibilidade operacional e melhora a segurança no manejo das cargas.

A construção das barcaças no Amazonas também deve impulsionar a cadeia naval local, com estimativa de geração de cerca de 3,3 mil empregos diretos e indiretos no estado.

Com a ampliação da frota própria, a Petrobras busca diminuir a dependência de contratos terceirizados para transporte e abastecimento de bunker, combustível utilizado por navios em operações portuárias.

Urucu recebe novos aportes para ampliar produção energética

Além dos investimentos em logística, a Petrobras prevê aplicar cerca de R$ 2,5 bilhões no Polo Urucu, localizado em Coari, para perfuração de novos poços e instalação de linhas de conexão.

O complexo é a maior província petrolífera terrestre do Brasil e exerce papel central no abastecimento energético do Amazonas, especialmente pela produção de gás natural e GLP.

Após cerca de dez anos sem novos poços, a retomada dos investimentos deve acrescentar aproximadamente 4,4 mil barris por dia à produção média da unidade.

A Petrobras também pretende lançar cerca de 40 quilômetros de linhas para conectar os novos poços à infraestrutura existente, ampliando a eficiência operacional do polo.

O gás natural produzido em Urucu tem relevância direta para o suprimento elétrico regional, pois viabiliza parte expressiva da geração consumida em Manaus e em outros municípios próximos.

A produção de GLP também reforça a importância do complexo, já que o gás de cozinha abastece todos os estados da Região Norte e parte do Nordeste.

Com os novos aportes, a companhia busca ampliar a segurança energética em áreas remotas da Amazônia, onde as restrições logísticas tornam o acesso a combustíveis mais complexo.

Jéssica Rocha

Colunista no segmento Indústria e Tendências | Diretora de Operações com atuação direta em áreas Operacionais, Comerciais, de Marketing, Tecnologia, entre outras, sempre atenta às tendências globais que impactam a indústria, o mercado empresarial e a economia mundial.

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