Pisos mínimos do frete pressionam custos da indústria brasileira
Pisos mínimos do frete elevam custos para a indústria brasileira e aumentam a preocupação com competitividade, segurança jurídica e repasses ao consumidor.
O tabelamento do frete rodoviário segue no centro das preocupações da indústria brasileira, especialmente após a Medida Provisória 1.343/2026 ampliar a fiscalização e endurecer penalidades relacionadas à Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. Sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 94% das empresas industriais que contratam transporte rodoviário identificam efeitos negativos nos custos de frete, enquanto 86% das companhias que escoam mercadorias por rodovia utilizam serviços contratados, de forma exclusiva ou combinada com frota própria.
MP 1.343/2026 aumenta preocupação com custos e regras
A Medida Provisória 1.343/2026 elevou a apreensão da indústria ao reforçar mecanismos de fiscalização e ampliar sanções relacionadas ao cumprimento dos pisos mínimos do frete rodoviário.
Entre as empresas que conhecem a norma, 85% apontam a elevação dos custos de transporte como principal preocupação, enquanto 57% mencionam perda de competitividade e 35% citam insegurança jurídica.
O levantamento mostra que a discussão vai além do setor de transporte, porque o frete integra a estrutura de custos de praticamente todas as cadeias produtivas industriais.
Para a CNI, o endurecimento das penalidades pode ampliar distorções econômicas caso ocorra sem uma revisão prévia da metodologia usada para calcular os pisos mínimos.
A crítica à metodologia é um dos pontos centrais da sondagem, já que oito em cada dez empresas consideram as regras de cálculo parcial ou totalmente desalinhadas da realidade operacional.
Essa percepção ganha peso porque os valores definidos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres servem como base para fiscalização, autuações e aplicação de sanções.
Além das regras já em vigor, o debate em torno da medida provisória inclui a possibilidade de criação de um piso salarial de R$ 5.000 para motoristas profissionais em operações de longa distância.
A mudança pode atingir empresas com frota própria e também companhias que terceirizam o transporte, já que custos adicionais tendem a ser incorporados aos contratos de frete.
Tabelamento eleva frete e pesa mais nas empresas menores
A política de pisos mínimos já provoca impacto expressivo sobre os custos logísticos da indústria, segundo a avaliação das empresas consultadas pela CNI.
Em média, as companhias estimam que o tabelamento elevou os custos do frete rodoviário em 16,4% na comparação com um cenário de livre negociação entre embarcadores e transportadores.
A pressão é ainda maior para empresas de menor porte, que costumam ter menos margem para absorver aumentos ou renegociar contratos logísticos.
Pequenas empresas estimam alta média de 19% nos custos de transporte, enquanto médias empresas apontam aumento de 18% e grandes companhias registram impacto médio de 14%.
A sondagem também indica que cerca de sete em cada dez pequenas e médias empresas classificam os efeitos da política como altos ou muito altos.
Esse dado reforça que o tabelamento afeta de maneira desigual o setor produtivo, com impacto mais intenso sobre negócios que operam com menor escala, menor poder de negociação e margens mais estreitas.
Na prática, o aumento do frete pode reduzir a competitividade de produtos industriais, especialmente em mercados nos quais preço, prazo e previsibilidade logística são fatores decisivos.
Quando o custo de transporte cresce de forma rígida, empresas podem enfrentar dificuldade para manter margens, cumprir contratos e evitar repasses ao consumidor final.
Norte, Nordeste e setores logísticos sentem maior impacto
A análise regional mostra que os efeitos da política de pisos mínimos são mais intensos em áreas com maior dependência do transporte rodoviário e desafios logísticos estruturais.
O Nordeste concentra o maior aumento médio nos custos de frete, com 20,3%, seguido pelo Norte, onde as empresas apontam elevação média de 17,2%.
Esses resultados sugerem que distâncias maiores, menor disponibilidade de alternativas logísticas e características específicas das operações de retorno tornam algumas regiões mais vulneráveis ao tabelamento.
Para empresas instaladas nesses mercados, o aumento do frete pode afetar tanto o abastecimento de insumos quanto o escoamento da produção para outras regiões do país.
Os impactos também variam conforme o setor produtivo, sendo mais fortes nas cadeias em que o transporte representa parcela relevante do custo total.
Extração mineral e produtos minerais não metálicos, grupo que inclui fertilizantes, sal, gesso e cerâmica, registram aumento médio próximo de 23% nos custos de transporte.
Segmentos como produtos alimentícios e máquinas e equipamentos também aparecem com elevações acima da média nacional, evidenciando que a política não atinge todos os setores da mesma forma.
Em cadeias de menor valor agregado ou com grande dependência de deslocamento rodoviário, o encarecimento do frete pode comprometer margens, preços finais e capacidade de competir no mercado interno.
Fonte: Portal da Indústria



