Economia e Negócios

Exigências dos EUA para reduzir tarifaço são “indignas”

Exigências dos EUA receberam forte resistência em Brasília, que classificou as condições como “indignas” e “inaceitáveis” diante dos possíveis efeitos sobre a economia.

O tarifaço de 25% transformou a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos em uma negociação que ultrapassa a simples revisão de alíquotas. As reivindicações estadunidenses envolvem interesses empresariais e políticas nacionais sensíveis, enquanto o governo brasileiro avalia os riscos econômicos e institucionais de cada concessão.

EUA apresentam condições para rever tarifas

Os Estados Unidos condicionaram uma eventual redução das tarifas de 25% sobre produtos brasileiros à abertura de diferentes setores considerados relevantes para suas empresas.

Entre as principais demandas está a eliminação de alíquotas aplicadas a segmentos industriais, químicos, aeroespaciais e automotivos, medida que ampliaria a competitividade de fornecedores estadunidenses no mercado brasileiro.

A pauta também inclui o etanol, produto de forte interesse comercial para os Estados Unidos e responsável por uma parcela importante da produção energética brasileira.

As autoridades norte-americanas ainda defendem regras menos restritivas para plataformas digitais, com o objetivo de facilitar a atuação de grandes companhias de tecnologia no país.

Outro tema incluído nas discussões envolve o Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos que passou a integrar as reivindicações apresentadas durante as tratativas comerciais.

O governo brasileiro rejeita essas condições por considerar que as concessões ultrapassariam o campo tarifário e poderiam afetar setores nacionais, políticas regulatórias e decisões soberanas.

Tarifaço ameaça bilhões em exportações brasileiras

Cálculos oficiais indicam que aproximadamente 18% das vendas brasileiras destinadas aos Estados Unidos poderão sofrer os efeitos das novas tarifas comerciais.

A parcela ameaçada corresponde a cerca de US$ 7,4 bilhões em exportações, valor que demonstra a dimensão econômica das medidas previstas para entrar em vigor em 22 de julho.

O impacto poderá alcançar empresas de diferentes atividades produtivas, com possíveis consequências sobre receitas, contratos, investimentos e manutenção de postos de trabalho.

O governo brasileiro classificou as exigências norte-americanas como “indignas” e “inaceitáveis”, pois avalia que as concessões provocariam danos superiores aos efeitos do próprio tarifaço.

As negociações já envolveram mais de trinta contatos entre autoridades dos dois países, por meio de telefonemas, videoconferências e encontros presenciais.

Apesar desse esforço diplomático, a expectativa de avanço permanece limitada diante do componente político atribuído ao impasse e das divergências entre as duas administrações.

*Com informações g1

Romário Martins

Colunista no segmento Economia e Negócios | Vice-presidente do Grupo Ideal Trends. Há mais de 19 anos, Romário tem ajudado empresas a alavancarem seu faturamento por meio da geração de demanda qualificada na web. Em sua trajetória, já ajudou a transforar o cenário de mais de 20.000 empresas.

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