Economia e Negócios

Trump ameaça bombardear Omã, aliado dos EUA, por negociações com Irã

Trump ameaça bombardear Omã e amplia o risco de desgaste com um parceiro que ocupa posição geográfica estratégica para qualquer acordo sobre Ormuz.

Donald Trump elevou a tensão diplomática no Golfo ao direcionar uma ameaça militar contra Omã, país que mantém parceria histórica com os Estados Unidos e participa das conversas sobre o Irã. A pressão surge enquanto Mascate tenta negociar condições para restabelecer o fluxo pelo Estreito de Ormuz e evitar uma nova escalada regional.

Trump ameaça Omã apesar da aliança com os EUA

Donald Trump ameaçou bombardear Omã caso o país interfira nas negociações conduzidas por Washington com o Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.

A declaração chamou atenção porque Omã mantém uma relação de parceria com os Estados Unidos e ocupa posição diplomática relevante nas conversas com Teerã.

Segundo informações divulgadas pela Fox News, Trump afirmou por telefone que poderia ordenar ataques contra o território omanense caso considerasse que Mascate prejudicou os interesses estadunidenses.

A ameaça ocorre enquanto Omã tenta preservar uma postura neutra no conflito, mesmo depois de sofrer ataques iranianos e assumir papel central nas discussões sobre a hidrovia.

O governo omanense também conduz suas próprias tratativas com autoridades iranianas para estabelecer condições capazes de permitir novamente a circulação regular de embarcações pelo estreito.

Estreito de Ormuz permanece no centro das negociações

A disputa diplomática ocorre após meses de restrições no Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde normalmente circula parcela relevante do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados mundialmente.

O Irã reduziu fortemente a circulação pela hidrovia depois dos ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra seu território em fevereiro.

Desde então, a liberação do estreito passou a ocupar posição central nas negociações diplomáticas, devido aos possíveis efeitos sobre transporte marítimo, abastecimento energético e comércio internacional.

Teerã também condicionou uma reabertura completa ao pagamento de compensações por supostas violações de compromissos assumidos anteriormente pelos Estados Unidos.

Informações atribuídas a uma autoridade iraniana indicaram ainda que o país avaliava cobrar taxas equivalentes a uma parcela do valor das cargas transportadas pela região.

O controle da passagem marítima permanece especialmente sensível porque Omã ocupa a margem sul do estreito e possui importância geográfica direta para qualquer acordo operacional.

Relação entre Washington e Teerã segue indefinida

A ameaça contra Omã ocorre enquanto Estados Unidos e Irã se aproximam do vencimento de um memorando de entendimento criado para reduzir hostilidades e facilitar uma abertura parcial da rota marítima.

O documento foi assinado em 18 de junho, mas perdeu efetividade pouco depois, após a retomada de ataques entre os dois países e o enfraquecimento do cessar-fogo.

Trump afirmou posteriormente que o acordo de trégua havia terminado e voltou a direcionar críticas severas contra a liderança iraniana após novos confrontos militares.

Durante a mesma entrevista à Fox News, o presidente estadunidense declarou possuir comunicação direta com integrantes da Guarda Revolucionária Islâmica, afirmação posteriormente rejeitada por representantes iranianos.

Apesar das incertezas diplomáticas, Trump indicou que não pretende estabelecer um prazo imediato para concluir o conflito e voltou a colocar o programa nuclear iraniano entre suas principais preocupações.

A proximidade do fim formal do memorando mantém abertas dúvidas sobre a retomada das negociações, a reabertura do Estreito de Ormuz e o comportamento das forças envolvidas na região.

Romário Martins

Colunista no segmento Economia e Negócios | Vice-presidente do Grupo Ideal Trends. Há mais de 19 anos, Romário tem ajudado empresas a alavancarem seu faturamento por meio da geração de demanda qualificada na web. Em sua trajetória, já ajudou a transforar o cenário de mais de 20.000 empresas.

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