Ibama autoriza três novos poços da Petrobras na Foz do Amazonas
A inclusão de novos poços da Petrobras ocorreu por meio da retificação da Licença de Operação nº 1684. A empresa terá até 30 dias após o recebimento da licença para encaminhar uma programação atualizada das atividades previstas.
A busca por petróleo na costa amazônica recebeu novo impulso com a ampliação das atividades autorizadas para a Petrobras no bloco FZA-M-59. A campanha terá novas perfurações destinadas a verificar a extensão das reservas e a possibilidade de aproveitamento comercial do recurso identificado na etapa inicial. A decisão, porém, ocorre sob atenção de órgãos fiscalizadores devido às dúvidas sobre a duração dos trabalhos e às consequências para ecossistemas e comunidades tradicionais.
Licença amplia campanha exploratória na região
A Petrobras recebeu autorização do Ibama para acrescentar três perfurações exploratórias à campanha realizada no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas.
A liberação permitirá aprofundar a avaliação das reservas após a identificação de indícios de petróleo no primeiro poço, resultado que ainda não comprova viabilidade comercial.
Os trabalhos deverão priorizar a conclusão da estrutura denominada Morpho antes do avanço para Manga, Crotalus e Morpho Extensão, conforme o planejamento divulgado pela estatal.
Em resposta encaminhada ao g1, a companhia informou que a autorização ocorreu por meio de uma retificação na Licença de Operação nº 1684.
O novo documento exige a entrega de um cronograma atualizado ao órgão ambiental até 30 dias após seu recebimento pela empresa petrolífera.
O pedido para inclusão das três perfurações havia sido apresentado em agosto, após os primeiros resultados obtidos pela companhia nessa parte da Margem Equatorial.
Processo enfrenta cobrança por transparência
A ampliação da campanha ocorre em meio a questionamentos do Ministério Público Federal sobre informações divergentes no licenciamento ambiental do bloco FZA-M-59.
Durante uma audiência judicial realizada em abril de 2025, representantes do Ibama classificaram a atividade como pontual e estimaram duração aproximada de seis meses.
Documentos apresentados posteriormente ao órgão de fiscalização, porém, descrevem uma campanha composta por quatro poços, com operações distribuídas entre 2025 e 2029.
Para o Ministério Público Federal, essa diferença prejudica a compreensão do projeto e limita uma análise adequada dos efeitos ambientais associados ao período total da operação.
A duração por vários anos também desperta preocupação sobre consequências acumuladas para espécies marinhas, pesca artesanal e comunidades tradicionais ligadas aos recursos costeiros.
Diante desse cenário, o órgão federal solicitou esclarecimentos ao Ibama sobre as versões apresentadas ao longo do processo e sobre o alcance real das atividades previstas.



