Legislação e Normas Industriais

Projeto cria regras para parques eólicos próximos a comunidades

Parques eólicos poderão assumir novas responsabilidades perante as localidades receptoras, com prioridade para a contratação de profissionais residentes nas próprias regiões.

O Projeto de Lei 2591/26 pretende preencher lacunas na proteção das populações que convivem com os impactos provocados por parques eólicos terrestres. O texto apresentado à Câmara dos Deputados combina medidas de segurança, acompanhamento da saúde, equilíbrio contratual e valorização econômica das regiões escolhidas para os projetos.

Projeto estabelece proteção para moradores

Segundo a Agência Câmara de Notícias, o Projeto de Lei 2591/26 propõe uma regulamentação nacional direcionada às relações entre empreendimentos eólicos terrestres e as populações estabelecidas nas áreas próximas.

Entre as mudanças previstas está a criação de um afastamento obrigatório entre residências e aerogeradores, com critérios que deverão orientar a implantação de novos equipamentos próximos às comunidades.

As empresas também terão de acompanhar periodicamente fatores associados ao funcionamento das estruturas, como níveis de ruído, vibrações e projeção de sombras sobre áreas habitadas próximas aos parques.

Outro ponto determina avaliações das condições de saúde dos moradores em momentos anteriores e posteriores à instalação dos empreendimentos, o que permitirá comparar possíveis alterações após o início das operações.

A proposta surge diante da avaliação de que as normas existentes estão distribuídas entre diferentes regras e ainda oferecem proteção insuficiente às populações expostas aos efeitos locais desses projetos.

Contratos e benefícios econômicos entram nas novas regras

Os proprietários que disponibilizarem suas terras para instalação das torres deverão receber uma remuneração mínima definida conforme parâmetros regionais, caso o projeto avance e se transforme em legislação.

O texto também busca restringir contratos considerados excessivamente desfavoráveis aos donos das propriedades, especialmente aqueles que estabelecem períodos muito extensos ou impõem obrigações de confidencialidade.

Além das relações entre empresas e proprietários, a proposta procura ampliar os benefícios econômicos nas regiões receptoras ao estimular a contratação de trabalhadores que vivem nas próprias localidades.

A iniciativa procura, dessa forma, estabelecer parâmetros comuns para uma atividade estratégica da matriz energética sem deixar exclusivamente para contratos privados a definição das condições enfrentadas pelas comunidades próximas.

Antes de produzir efeitos legais, o projeto ainda passará pelas comissões responsáveis por meio ambiente, energia, finanças e aspectos constitucionais dentro da Câmara dos Deputados.

Mesmo com a tramitação em caráter conclusivo nas comissões, a proposta precisará superar as etapas legislativas previstas na Câmara e no Senado antes de eventual transformação em lei.

Aldair Sedlmaier

Colunista no segmento Legislação e Normas Industriais | Gerente de Customer Success, Aldair é especialista em negócios digitais, marketing digital, customer experience e relacionamento com o cliente. Está diretamente ligado às áreas de Ouvidoria e Jurídico, trazendo insights valiosos do mercado industrial.

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