Economia e Negócios

Tarifas do Canadá contra os EUA entram em vigor

As tarifas do Canadá avançam em um momento sem conversas oficiais entre os governos, apesar da disposição declarada por Ottawa para alcançar um entendimento bilateral.

A relação comercial entre Canadá e Estados Unidos entrou em uma fase mais onerosa após Ottawa transformar sua reação política em novas cobranças sobre importações estadunidenses. O pacote entrou em vigor nesta terça-feira (8), com alíquotas de até 50% e alcance de US$ 20 bilhões em mercadorias. A iniciativa responde às barreiras impostas anteriormente por Washington e amplia as incertezas sobre comércio, investimentos e estabilidade do acordo regional norte-americano.

Ruptura comercial chega às alfândegas

A ruptura das negociações comerciais entre Canadá e Estados Unidos saiu do campo diplomático nesta terça-feira (8), data escolhida por Ottawa para ativar sua resposta tarifária.

Com a vigência do pacote, importadores canadenses passaram a recolher taxas adicionais de 15% a 50% sobre mercadorias adquiridas de fornecedores americanos.

A cobrança alcança US$ 20 bilhões e distribui seus efeitos entre bens industriais e produtos de consumo, como aço, eletrônicos, roupas e mobiliário.

O governo canadense definiu esse montante para corresponder ao valor das exportações nacionais afetadas pelas barreiras adotadas anteriormente pela administração americana.

As medidas dos Estados Unidos atingiram segmentos ligados à alimentação, construção, vestuário, decoração e artigos esportivos, responsáveis por aproximadamente 5% das vendas canadenses ao país.

Com o fracasso das tratativas no mês passado, a reação transferiu o conflito para as operações comerciais e acrescentou outra etapa a uma crise iniciada há dezoito meses.

Dependência limita força da resposta canadense

A capacidade de pressão de Ottawa enfrenta uma diferença econômica expressiva, pois os Estados Unidos possuem uma economia treze vezes maior que a canadense.

Essa desigualdade ganha relevância porque o mercado americano recebeu quase 68% de tudo o que o Canadá exportou ao longo deste ano.

Ainda assim, quatro quintos dessas remessas conservaram acesso sem tarifas graças ao acordo comercial firmado pelos dois países em conjunto com o México.

O tratado não protegeu os setores alcançados pelas novas cobranças americanas, aplicadas por meio de uma legislação que não admite suas isenções tarifárias.

O futuro dessa proteção também perdeu previsibilidade após Washington rejeitar uma extensão de dez anos e manter o acordo sujeito a avaliações anuais.

Outra fonte de pressão surgiu sobre a indústria automotiva, ameaçada por taxas americanas de 50% sobre veículos, caminhões e componentes a partir de janeiro.

Apesar da disposição canadense para um acordo bilateral, autoridades dos dois países permanecem sem conversas formais capazes de restabelecer uma negociação imediata.

A reação conserva apoio entre os canadenses, mas os efeitos econômicos podem alterar esse respaldo, enquanto apenas 20% dos americanos aprovam as tarifas contra o país vizinho.

Romário Martins

Colunista no segmento Economia e Negócios | Vice-presidente do Grupo Ideal Trends. Há mais de 19 anos, Romário tem ajudado empresas a alavancarem seu faturamento por meio da geração de demanda qualificada na web. Em sua trajetória, já ajudou a transforar o cenário de mais de 20.000 empresas.

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