Desastres climáticos aumentam 3x no Brasil em 10 anos

Os desastres climáticos no Brasil aumentaram três vezes na última década, afetando 31,8 milhões de pessoas entre 2020 e 2023, resultando em grandes prejuízos econômicos. A implementação de medidas de prevenção, como planejamento urbano e soluções baseadas na natureza, é essencial para mitigar esses impactos e proteger as comunidades vulneráveis.

Os desastres climáticos, especialmente aqueles causados por chuvas intensas, triplicaram no Brasil nos últimos dez anos, de acordo com um estudo recente. Este aumento alarmante tem impactado milhões de pessoas e gerado prejuízos econômicos significativos. Especialistas destacam a necessidade urgente de implementar medidas de prevenção e adaptação para mitigar esses efeitos.

Crescimento dos desastres climáticos

Um novo levantamento divulgado pela Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica, em colaboração com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a UNESCO e a Fundação Grupo Boticário, revela um crescimento expressivo dos desastres climáticos no Brasil nas últimas décadas.

O estudo mostra que entre 2020 e 2023 o país enfrentou 7.539 eventos extremos relacionados à chuva — mais que o triplo dos 2.335 episódios registrados em toda a década de 1990.

A pesquisa, intitulada Temporadas das águas: o desafio crescente das chuvas extremas, aponta uma tendência clara de agravamento desses fenômenos, impulsionada pelas mudanças climáticas em escala global.

Desde 1991, já são mais de 26 mil ocorrências de desastres relacionados a chuvas intensas, com um avanço particularmente acentuado a partir dos anos 2000.

A média anual de registros climáticos extremos a partir de 2020 é mais que o dobro da média da década anterior e chega a ser 7,3 vezes maior que a observada nos anos 1990.

As transformações no regime de chuvas também estão em curso. Projeções climáticas indicam que, até o fim do século, as regiões Sul e Sudeste podem enfrentar um aumento de até 30% na intensidade e volume das chuvas.

Em contrapartida, o Norte e o Nordeste devem lidar com uma redução de até 40%, cenário que agrava ainda mais os riscos de secas prolongadas e crises hídricas nessas localidades.

Os dados evidenciam a urgência de investimentos em infraestrutura resiliente, sistemas de alerta precoce e políticas públicas integradas de adaptação climática.

Atualmente, 83% dos municípios brasileiros já sofrem com os efeitos diretos desses eventos extremos, o que inclui desde enchentes e deslizamentos até prejuízos econômicos e impactos sociais profundos.

O relatório também reforça a importância de incluir a pauta climática nas decisões de planejamento urbano, proteção ambiental e políticas de habitação, sobretudo em áreas mais vulneráveis.

Para os especialistas envolvidos no estudo, o Brasil precisa acelerar sua preparação diante de um cenário climático cada vez mais instável e imprevisível.

Fonte: Um Só Planeta

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