Economia e Negócios

UE convida Canadá a se tornar primeiro membro associado do bloco

O status de membro associado ainda não possui regras definidas, mas poderá abrir uma nova forma de participação canadense em programas, iniciativas e estruturas ligadas ao bloco europeu.

A relação entre Canadá e União Europeia pode ganhar uma estrutura institucional ainda inexistente no bloco, em um momento no qual Ottawa procura diversificar parcerias diante das tensões comerciais com os Estados Unidos. Durante o discurso sobre o Estado da União nesta quarta-feira (16), em Estrasburgo, Ursula von der Leyen propôs ao primeiro-ministro Mark Carney que o país se torne o primeiro membro associado da UE.

Associação teria formato inédito

A proposta não representa uma entrada convencional do Canadá na União Europeia, mas a criação de uma relação intermediária cuja arquitetura jurídica e política ainda precisa ser definida.

Entre as principais questões estão a possibilidade de participação canadense em determinadas estruturas europeias e os limites de eventual representação dentro das instituições do bloco.

A ausência de regras prontas também deixa em aberto se esse vínculo permitiria algum tipo de participação em decisões ou se Ottawa teria acesso institucional sem direito a voto.

A própria novidade do conceito exige negociações posteriores para estabelecer quais responsabilidades, benefícios e mecanismos de coordenação acompanhariam o novo status.

Experiências já existentes mostram que países podem manter graus elevados de integração com a União Europeia sem se tornarem membros, embora cada relação siga regras próprias.

Noruega e Suíça possuem diferentes formas de acesso ao mercado europeu, enquanto o Reino Unido reconstruiu parte da cooperação com o bloco depois do Brexit.

A discussão sobre modelos intermediários também apareceu anteriormente em propostas relacionadas à Ucrânia, mas isso não significa que o eventual acordo canadense repetirá o mesmo desenho.

Von der Leyen apresentou a iniciativa como parte de uma revisão mais ampla das parcerias externas da UE, com a intenção de aproximar países que compartilham interesses econômicos, estratégicos e institucionais.

Cooperação pode avançar além do CETA

A aproximação pretendida ultrapassa a relação comercial construída pelo CETA, acordo que reduziu barreiras e ampliou o acesso de empresas europeias e canadenses aos respectivos mercados.

O tratado está em aplicação provisória desde 2017 e permanece como uma das principais bases econômicas da relação bilateral.

A nova agenda apresentada por von der Leyen inclui fabricação avançada, tecnologia, integração das bases industriais de defesa, energia, minerais críticos, inteligência artificial e projetos conjuntos relacionados ao Ártico.

A presidente da Comissão também propôs a formação de um espaço comum voltado à prosperidade e à segurança econômica.

Pesquisa e educação também ocupam espaço nessa aproximação. O Canadá já participa, desde 2024, do Pilar II do Horizon Europe, programa europeu destinado à pesquisa colaborativa.

Outro campo com potencial de avanço envolve o reconhecimento de qualificações profissionais, uma medida que poderia facilitar a mobilidade de trabalhadores entre as duas economias.

O próprio CETA já estabelece mecanismos relacionados à circulação de profissionais e à possibilidade de reconhecimento mútuo em determinadas atividades.

A iniciativa surge enquanto o Canadá busca ampliar alternativas econômicas e estratégicas diante do agravamento das relações comerciais com os Estados Unidos, contexto que aumentou a importância de parceiros capazes de reduzir dependências concentradas.

Von der Leyen afirmou que a proposta não pretende formar uma parceria contra outros países, mas fortalecer a capacidade conjunta das duas partes.

Romário Martins

Colunista no segmento Economia e Negócios | Vice-presidente do Grupo Ideal Trends. Há mais de 19 anos, Romário tem ajudado empresas a alavancarem seu faturamento por meio da geração de demanda qualificada na web. Em sua trajetória, já ajudou a transforar o cenário de mais de 20.000 empresas.

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