Economia e Negócios

Contestações no Pix disparam, mas devoluções seguem baixas

As contestações no Pix cresceram de forma expressiva após a criação do botão de denúncia, mas a recuperação do dinheiro ainda é baixa. A disparidade entre reclamações e ressarcimentos levantou preocupações sobre a eficácia do sistema.

Mesmo com o crescimento das contestações no Pix, impulsionado pelo novo botão de denúncia, menos de 10% dos valores fraudados retornam aos usuários. O cenário acende um alerta entre especialistas e consumidores, enquanto o Banco Central estuda ajustes para tornar o mecanismo mais efetivo.

Estatísticas de solicitações e ressarcimentos

A introdução do botão de contestação no Pix trouxe à tona um aumento expressivo nas estatísticas de solicitações de devolução, mas os números de ressarcimentos ainda são desanimadores.

Entre janeiro e agosto, a média mensal de operações contestadas foi de 1,3 milhão, mas esse número disparou para 3,5 milhões em outubro, com a ativação do botão.

Apesar do crescimento nas contestações, a proporção de pedidos aceitos caiu de 26% nos primeiros oito meses do ano para 12% em outubro e 9% em novembro.

Isso reflete um aumento na rejeição das reivindicações pelos bancos, que alegam saldo insuficiente nas contas dos fraudadores como principal motivo.

Em termos de valores, a média de recursos devolvidos permaneceu em 9,2% de janeiro a agosto, mas caiu para 7,1% em novembro.

O Banco Central continua a monitorar essas estatísticas para entender melhor as causas e buscar soluções para aumentar a eficácia dos ressarcimentos.

Reações do Banco Central e do Idec

O Banco Central (BC) tem acompanhado de perto as mudanças no cenário de contestações do Pix, especialmente após a introdução do botão de contestação.

O aumento das solicitações era esperado, dado o maior destaque dado ao Mecanismo Especial de Devolução (MED), mas o BC reconhece a necessidade de ajustes para melhorar a eficácia dos ressarcimentos.

Em resposta às estatísticas desanimadoras de devolução, o BC está avaliando possíveis mudanças na regulamentação e enviou questionários aos bancos para verificar a conformidade com as normas do Pix.

Além disso, o regulador planeja introduzir um indicador de probabilidade de fraudes no próximo ano, com o objetivo de aprimorar a segurança e a confiança no sistema.

Por outro lado, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) expressou preocupação com a efetividade do sistema atual.

A instituição enfatiza que os resultados das melhorias devem beneficiar diretamente os consumidores afetados por fraudes.

O Idec também sugeriu que o BC adote nomes mais simples para o botão de contestação, como “botão do golpe” ou “SOS Golpe”, para facilitar o entendimento e reduzir acionamentos indevidos.

Romário Martins

Colunista no segmento Economia e Negócios | Vice-presidente do Grupo Ideal Trends. Há mais de 19 anos, Romário tem ajudado empresas a alavancarem seu faturamento por meio da geração de demanda qualificada na web. Em sua trajetória, já ajudou a transforar o cenário de mais de 20.000 empresas.

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