Habitação e transportes exerceram os maiores impactos negativos sobre a prévia da inflação, com contribuições de -0,22 e -0,20 ponto percentual, respectivamente.
O IPCA-15 registrou queda de 0,40% em agosto de 2026, após apresentar avanço de 0,06% no mês anterior, conforme os dados divulgados pelo IBGE. O resultado levou o acumulado do ano para 3,09%, enquanto a variação dos últimos 12 meses desacelerou para 4,24%, ante 4,52% contabilizados até julho. A redução dos preços ocorreu de forma disseminada entre algumas despesas relevantes para as famílias, com destaque para energia elétrica, passagens aéreas, combustíveis e alimentos.
Habitação exerce maior pressão negativa sobre o IPCA-15
Entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, Habitação apresentou a maior redução em agosto, com queda de 1,41% e contribuição negativa de 0,22 ponto percentual sobre o índice geral.
A energia elétrica residencial teve papel decisivo nesse movimento, pois os preços recuaram 6,25% após a incorporação do Bônus de Itaipu nas faturas emitidas durante o mês.
Sozinha, a conta de luz retirou 0,26 ponto percentual do IPCA-15, mesmo com a permanência da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
O resultado também incorporou reajustes anteriores das distribuidoras, entre eles aumentos de 19,55% em Curitiba, 14,89% em uma concessionária de Porto Alegre e 8,85% em uma empresa de São Paulo.
Outros serviços residenciais seguiram direção diferente, com avanço de 0,34% nas tarifas de água e esgoto e aumento de 0,81% no gás encanado.
Transportes recuam com passagens e combustíveis mais baratos
Transportes representou outra contribuição importante para a queda do indicador, ao passar de alta de 0,11% em julho para redução de 1,00% no levantamento de agosto.
As passagens aéreas ficaram 13,30% mais baratas no período e exerceram influência relevante sobre o grupo, enquanto os combustíveis apresentaram redução conjunta de 1,43%.
Entre os produtos utilizados nos veículos, o etanol registrou queda de 3,63%, a gasolina ficou 1,23% mais barata e o óleo diesel apresentou redução de 0,71%.
O gás veicular seguiu direção contrária aos demais combustíveis e avançou 1,42%, enquanto as tarifas de táxi aumentaram 0,20% na média considerada pelo levantamento.
Em Belo Horizonte, especificamente, o serviço de táxi apresentou alta de 1,96%, após um reajuste tarifário de 8,42% que entrou em vigor no dia 8 de agosto.
Alimentos ficam mais baratos dentro de casa
Alimentação e bebidas caiu 0,57% em agosto e retirou 0,12 ponto percentual do IPCA-15, resultado associado principalmente aos produtos comprados para consumo doméstico.
A alimentação no domicílio recuou 0,97%, com reduções expressivas em hortaliças e outros itens presentes com frequência nas compras realizadas pelas famílias brasileiras.
O tomate apresentou queda de 27,38%, enquanto a batata-inglesa ficou 25,14% mais barata e a cenoura registrou redução de 17,05% durante o período pesquisado.
O café moído também contribuiu para esse movimento, com redução de 2,31%, enquanto o leite longa vida e as frutas avançaram respectivamente 3,41% e 3,11%.
Fora de casa, os preços subiram 0,42%, abaixo dos 0,55% registrados em julho, com desaceleração das refeições e aumento mais intenso dos lanches.
Inflação recua nas onze regiões pesquisadas
Todas as áreas acompanhadas pelo IBGE apresentaram variações negativas em agosto, embora a intensidade da queda tenha sido bastante diferente entre as localidades pesquisadas.
Curitiba registrou a maior redução, com taxa de -0,82%, influenciada principalmente pelas quedas de 15,34% nas passagens aéreas e de 4,83% na energia elétrica residencial.
Na outra extremidade, São Paulo apresentou recuo de apenas 0,06%, com altas de 4,66% no leite longa vida e de 2,97% nos serviços de conserto de automóveis.
Apesar da deflação mensal, alguns grupos continuaram pressionados, como Despesas pessoais, que avançou 0,66%, Educação, com 0,46%, e Saúde e cuidados pessoais, com 0,40%.
Com o resultado de agosto, o IPCA-15 acumula avanço de 3,09% desde janeiro e de 4,24% em 12 meses, percentual inferior aos 4,52% registrados imediatamente antes.
