O setor de serviços acumulou alta de 2% no primeiro semestre de 2026 e avançou 2,6% no período de doze meses encerrado em junho.
Os serviços brasileiros encerraram junho de 2026 sem variação frente ao mês anterior, mas continuaram em patamar elevado na comparação histórica apresentada pelo IBGE. O índice ficou 19,9% acima do nível pré-pandemia e apenas 0,3% abaixo do recorde de outubro de 2025, embora a maioria dos segmentos tenha registrado retração no período.
Estabilidade esconde perda de força
O setor de serviços brasileiro encerrou junho de 2026 com variação de 0,0%, resultado que indica ausência de crescimento após um mês anterior marcado por retração.
Em maio, o volume havia caído 0,4%, o que torna a estabilidade de junho relevante por interromper uma sequência recente de enfraquecimento da atividade.
Mesmo assim, a composição interna do índice mostra que a maior parte das áreas pesquisadas ainda operou sob pressão, pois quatro dos cinco grandes grupos apresentaram queda.
Outros serviços diminuíram 2,2%, enquanto serviços profissionais, administrativos e complementares recuaram 1,4% e atividades voltadas às famílias perderam 1,2%.
O segmento de transportes também permaneceu no campo negativo, com retração de 0,1%, o que reforçou a fragilidade de setores ligados à circulação de pessoas e mercadorias.
A exceção veio de informação e comunicação, que avançou 1,8% e sustentou o resultado agregado ao compensar parte das perdas verificadas em outras atividades.
Esse desempenho mostra que a estabilidade nacional não significou recuperação homogênea, mas resultado de movimentos opostos entre serviços digitais e setores mais tradicionais.
Comparação anual mantém sinal positivo
Na comparação com junho de 2025, o setor apresentou crescimento de 2%, resultado que preservou uma sequência prolongada de expansão em bases interanuais.
A principal força veio de informação e comunicação, com alta de 9,4% impulsionada por software, telecomunicações, serviços digitais e atividades ligadas ao processamento de dados.
Também houve avanço nos serviços profissionais, administrativos e complementares, que cresceram 2,8% e receberam apoio de áreas ligadas a publicidade, intermediação e serviços corporativos.
Os serviços prestados às famílias subiram 1,7%, com contribuição de restaurantes, alimentação preparada e outras atividades associadas ao consumo presencial.
Em sentido contrário, transportes, serviços auxiliares e correio recuaram 2,6%, enquanto outros serviços apresentaram queda de 2,5% na comparação anual.
No acumulado do primeiro semestre, o volume de serviços avançou 2%, enquanto a taxa em doze meses permaneceu positiva em 2,6%.
Queda alcança 16 unidades da federação
A leitura regional mostrou um quadro ainda mais desigual, já que 16 das 27 unidades da federação apresentaram retração no volume de serviços em junho.
O Rio Grande do Sul exerceu uma das maiores pressões negativas, com queda de 2,1%, seguido por resultados fracos em diferentes estados e no Distrito Federal.
São Paulo teve comportamento oposto e registrou avanço de 0,6%, suficiente para oferecer a principal contribuição positiva ao resultado nacional naquele mês.
Santa Catarina cresceu 0,9%, Alagoas avançou 1,7% e o Rio de Janeiro apresentou alta mais discreta, de apenas 0,1%.
Esse contraste mostra que o setor segue com desempenho fragmentado entre regiões, mesmo quando o indicador agregado transmite uma imagem de estabilidade.
A combinação entre estabilidade mensal, crescimento anual e retração disseminada entre os estados indica um setor ainda distante de uma recuperação uniforme.
