Tarifa mexicana derruba exportações brasileiras em 42,5%

A tarifa mexicana atingiu 171 produtos brasileiros exportados ao país, dos quais 113 apresentaram queda no desempenho comercial em 2026.

O aumento das tarifas mexicanas passou a representar uma ameaça relevante para o comércio bilateral após reduzir em 42,5% as vendas brasileiras dos itens afetados. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que US$ 665 milhões em bens permanecem expostos às novas cobranças, cenário que amplia a pressão sobre diferentes segmentos industriais.

Tarifas mexicanas reduzem vendas brasileiras

A política tarifária adotada pelo México desde janeiro de 2026 provocou uma forte retração nas exportações brasileiras e ampliou os riscos para diferentes segmentos industriais.

Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que as vendas dos produtos alcançados pelas novas alíquotas caíram 42,5% durante o primeiro semestre, com perdas estimadas em US$ 91,5 milhões.

A maior parte desse recuo atingiu componentes utilizados por outras atividades produtivas, pois os bens intermediários representaram 78,1% da redução registrada no comércio entre os dois países.

Entre os casos mais expressivos aparecem os tubos de ferro ou aço destinados a oleodutos e gasodutos, cujas exportações brasileiras desapareceram no primeiro quadrimestre de 2026.

O levantamento também identificou piora comercial em 113 dos 171 produtos nacionais submetidos à cobrança, resultado que revela prejuízos distribuídos por diversos setores da indústria.

Criado para proteger áreas consideradas estratégicas pelo governo mexicano, o programa alterou as alíquotas de 1.463 códigos aduaneiros e estabeleceu taxas superiores a 50% para algumas mercadorias.

Como o Brasil não possui um tratado de livre comércio com o México, o país ocupa a quinta posição entre as economias mais vulneráveis às novas barreiras comerciais.

A CNI calcula que aproximadamente US$ 665 milhões em exportações nacionais permanecem expostos aos efeitos da medida, caso as condições atuais sejam preservadas pelos próximos meses.

CNI defende negociação comercial com o México

Diante das perdas identificadas, a CNI pretende apresentar os resultados ao governo brasileiro e cobrar uma atuação diplomática capaz de proteger a presença industrial no mercado mexicano.

A entidade considera prioritária a abertura de negociações para retirar mercadorias brasileiras da lista tarifária, principalmente aquelas essenciais às cadeias produtivas instaladas nos dois países.

Outra proposta envolve a criação de um acordo de livre comércio, instrumento que poderia eliminar cobranças adicionais e oferecer maior previsibilidade aos contratos firmados por empresas brasileiras.

Estimativas apresentadas pela confederação indicam que um tratado amplo poderia acrescentar US$ 13,8 bilhões ao Produto Interno Bruto conjunto de Brasil e México.

O mesmo acordo teria potencial para elevar o intercâmbio comercial bilateral em US$ 3,2 bilhões e estimular aproximadamente US$ 8 bilhões em novos investimentos produtivos.

A agenda empresarial também inclui a ampliação do reconhecimento mútuo entre operadores econômicos autorizados, mecanismo que simplifica procedimentos aduaneiros para companhias consideradas confiáveis.

A redução de obstáculos comerciais e o avanço da cooperação regulatória completam as propostas destinadas a recuperar competitividade e preservar oportunidades para fabricantes nacionais no México.

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