EUA revisam tarifas recíprocas e alteram condições para produtos agrícolas
O setor exportador brasileiro ganhou um alívio parcial com a revisão tarifária anunciada pelos Estados Unidos. A medida reduz a cobrança sobre produtos agrícolas e pode influenciar a competitividade de alimentos como café, carne e açaí.
Os Estados Unidos anunciaram a redução das tarifas aplicadas a diversos produtos alimentícios importados, incluindo itens importantes da pauta exportadora brasileira. A mudança altera parcialmente os custos de entrada de café, carne, açaí e cerca de outras 200 mercadorias no estadunidense.
Produtos brasileiros têm queda parcial nas tarifas
Os Estados Unidos anunciaram uma redução nas tarifas aplicadas a aproximadamente 200 produtos alimentícios importados, medida que envolve itens de grande peso na pauta brasileira, como café, carne, açaí e manga.
Com a mudança, a taxa cobrada sobre esses produtos passa a ser de 40%, alterando parcialmente o custo de entrada das mercadorias brasileiras no mercado estadunidense, que antes era de 50%.
Segundo informações oficiais, o ajuste decorre da retirada das taxas criadas no início do ano como parte de uma política de reciprocidade adotada pelos EUA. Essas cobranças haviam elevado em 10% as tarifas de diversos países, entre eles o Brasil, e agora foram revogadas.
Apesar da redução anunciada, permanece em vigor o aumento tarifário definido meses depois pelo governo estadunidense, que acrescentou 40% ao valor das importações brasileiras.
Dessa forma, o impacto da nova decisão é limitado, já que a maior parcela da tarifa extraordinária continuará sendo aplicada.
A alteração, porém, reabre espaço para discussões sobre competitividade e pode influenciar negociações futuras entre os dois países, especialmente em um momento de forte atenção às condições de acesso ao mercado agrícola norte-americano.
Reações do setor agropecuário brasileiro
A decisão dos Estados Unidos de reduzir as tarifas de importação sobre produtos brasileiros foi recebida com entusiasmo pelo setor agropecuário do Brasil.
Entidades como a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) elogiaram a medida.
A Abiec destacou a importância do mercado norte-americano para a carne bovina brasileira, ressaltando que a decisão fortalece a relação comercial e oferece um caminho para um aumento estável das exportações.
A entidade vê a redução tarifária como uma oportunidade para expandir a presença da carne brasileira nos Estados Unidos, que é o segundo maior mercado para o produto.
Por outro lado, a Abrafrutas comemorou o avanço, mas expressou preocupação com o fato de a uva, a segunda fruta mais exportada para os EUA, não ter sido incluída na lista de produtos com tarifas reduzidas.
No entanto, o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) disse ao g1 que a situação piorou com a redução, pois concorrentes diretos não estão sobretaxados.
Além disso, o Ministério da Agricultura do Brasil considera a medida um passo positivo, mas mantém atenção sobre outros produtos que ainda enfrentam tarifas elevadas.
O governo brasileiro continua a negociar com os Estados Unidos para ampliar os benefícios tarifários, buscando maximizar as oportunidades para o setor agropecuário.



