Sindicato acusa Santander de falta de transparência financeira, diz jornal
O Sindicato dos Bancários apresentou uma denúncia à CVM contra o Santander, alegando falta de transparência em seu balanço de 2024, o que levanta questões sobre mudanças contábeis e seus efeitos nos planos de previdência, gerando preocupações sobre a sustentabilidade financeira da instituição.
A transparência financeira do Santander está sob escrutínio após uma denúncia do sindicato dos bancários. A acusação, acessada pelo g1, afirma que o banco alterou seu balanço de 2024 sem garantir clareza total ao mercado, levantando preocupações sobre a transferência de dívidas trabalhistas ao fundo Banesprev.
Denúncia protocolada na CVM
O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região apresentou uma denúncia formal à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) contra o banco Santander.
A ação foi motivada por alegações de que o banco teria alterado seu balanço financeiro de 2024 de forma a não garantir a transparência devida ao mercado.
Segundo o sindicato, essas alterações envolvem a reclassificação de registros financeiros e a transferência de dívidas trabalhistas para o fundo de previdência Banesprev.
A denúncia destaca que, embora as mudanças possam ter respaldo jurídico, a falta de clareza sobre suas implicações financeiras impede uma avaliação correta por parte dos investidores.
O documento protocolado na CVM argumenta que a estratégia adotada pelo banco não foi devidamente esclarecida, o que pode gerar incertezas sobre a extensão das responsabilidades financeiras do Santander.
A denúncia busca que a CVM investigue as práticas contábeis do banco e assegure que os investidores tenham acesso a informações precisas e completas.
Alterações contábeis questionadas
As alterações contábeis realizadas pelo Santander no balanço financeiro de 2024 estão sob questionamento após a denúncia do sindicato.
Essas mudanças envolveram reclassificações contábeis, que são ajustes utilizados para reorganizar registros financeiros, e transferências internas de patrimônio.
O sindicato alega que o banco transferiu parte de suas dívidas trabalhistas para o Banesprev, um fundo de previdência, repassando tanto a responsabilidade de pagamento quanto o risco econômico ao fundo.
Essa estratégia, embora legalmente respaldada, não teria sido comunicada de forma clara aos investidores, comprometendo a transparência financeira da instituição.
Além disso, a nota explicativa anexada ao balanço do quarto trimestre de 2024 descreve uma ação coletiva que determinou o pagamento retroativo de bônus semestrais aos beneficiários, mas não esclarece como essas mudanças impactam os planos de previdência geridos pelo Banesprev.
Impactos nos planos de previdência
Os impactos das alterações contábeis do Santander nos planos de previdência geridos pelo Banesprev têm gerado preocupações significativas.
A transferência das dívidas trabalhistas para o fundo de previdência levanta questões sobre a sustentabilidade financeira dos planos, especialmente no longo prazo.
O sindicato alerta que essa transferência pode esgotar os recursos do Banesprev ao longo do tempo, comprometendo a capacidade do fundo de pagar os benefícios devidos aos seus participantes.
Isso é particularmente preocupante para os planos de Benefício Definido, onde o valor dos benefícios é previamente estabelecido.
Além disso, a intenção do Santander de retirar o patrocínio desses planos, já manifestada anteriormente, poderia resultar no encerramento das contribuições do banco e no fim dos benefícios vitalícios, prejudicando os participantes dos planos.
A Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) já arquivou processos relacionados a essa retirada de patrocínio, mas a situação permanece delicada.
Fonte: g1



