Casos de assédio moral disparam no Brasil e superam 142 mil ações em 2025
Casos de assédio moral no ambiente profissional aumentaram significativamente em 2025, segundo dados do Tribunal Superior do Trabalho. Especialistas reforçam que práticas abusivas, incluindo microagressões, podem gerar impactos emocionais e consequências legais para empregadores.
Em 2025, o assédio moral no trabalho aumentou significativamente no Brasil, com mais de 140 mil novos processos registrados. Identificar e agir corretamente diante dessas situações é crucial para proteger a saúde mental e os direitos dos trabalhadores.
Aumento dos casos em 2025
O aumento dos casos de assédio moral no trabalho em 2025 é alarmante. Segundo o Tribunal Superior do Trabalho (TST), foram registrados cerca de 142.814 novos processos, representando um crescimento de 22,3% em comparação a 2024.
Esse aumento reflete uma maior conscientização dos trabalhadores sobre seus direitos e a disposição para denunciar práticas abusivas.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) também reportou um aumento significativo nas denúncias, com 18.207 relatos, uma alta de 26,9% em relação ao ano anterior.
Já o Disque 100, serviço do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, contabilizou 2.757 denúncias, um crescimento de 49,8%.
Esses números indicam não apenas um aumento real das ocorrências, mas também uma maior confiança nos canais de denúncia e uma crescente intolerância a comportamentos abusivos no ambiente de trabalho.
As empresas precisam estar atentas a essas mudanças e implementar políticas eficazes para prevenir e lidar com o assédio moral.
Identificando assédio moral
Reconhecer sinais de assédio moral no ambiente de trabalho é um passo fundamental para proteger funcionários e evitar que práticas abusivas se tornem parte da rotina corporativa.
Esse tipo de violência psicológica se caracteriza por comportamentos repetitivos que expõem o trabalhador a situações de humilhação, constrangimento e desgaste emocional, comprometendo sua dignidade e integridade profissional.
As ações podem ocorrer de forma explícita, por meio de insultos, gritos ou humilhações diante de colegas, mas também de maneira indireta, como a disseminação de boatos, o isolamento social ou a tentativa constante de desestabilizar a vítima.
Especialistas alertam que é importante diferenciar conflitos pontuais do dia a dia de um padrão contínuo de perseguição e intimidação.
O assédio moral pode partir de colegas, gestores ou até mesmo ser resultado de estruturas organizacionais que toleram práticas abusivas.
Por isso, empresas são incentivadas a adotar políticas claras, canais seguros de denúncia e mecanismos internos de prevenção, com o objetivo de promover um ambiente mais saudável e respeitoso.
Além das agressões diretas, comportamentos sutis merecem atenção. As chamadas microagressões, comentários ou atitudes aparentemente inofensivas, podem ter impacto significativo, especialmente sobre pessoas pertencentes a grupos minoritários.
Piadas, insinuações ou frases que reforçam estereótipos, como associações depreciativas relacionadas a gênero, são exemplos comuns que contribuem para um clima hostil no local de trabalho.
A conscientização sobre essas práticas é vista como essencial para combatê-las. Ao incentivar uma cultura de respeito e inclusão, organizações podem reduzir comportamentos discriminatórios e garantir que todos os colaboradores se sintam valorizados e protegidos no exercício de suas funções.
Como agir se for vítima
Quem se torna vítima de assédio moral no ambiente de trabalho deve adotar medidas práticas para proteger seus direitos e reduzir os impactos emocionais da situação.
Especialistas recomendam que o primeiro passo seja reunir provas, como e-mails, mensagens, gravações autorizadas e anotações detalhadas com datas, horários e descrição dos episódios, já que a documentação pode ser decisiva em eventuais ações legais.
Também é indicado buscar apoio dentro da própria empresa, por meio de canais institucionais, comissões internas como a CIPAA ou representantes sindicais.
Em alguns casos, comunicar o comportamento a um gestor ou ao setor de recursos humanos pode ajudar a interromper a prática.
Paralelamente, o acompanhamento psicológico ou médico é considerado importante para lidar com o desgaste emocional provocado pelo abuso.
Além das alternativas internas, trabalhadores podem recorrer a canais oficiais de denúncia. O Ministério do Trabalho disponibiliza um sistema online de inspeção para registrar casos, enquanto a plataforma Fala.br centraliza ouvidorias da administração pública.
A Central Alô Trabalho, pelo telefone 158, oferece atendimento de segunda a sábado, e as Superintendências Regionais do Trabalho prestam suporte presencial.
O Ministério Público do Trabalho também mantém um canal específico para denúncias de assédio moral, e o Disque 100 funciona gratuitamente, 24 horas por dia, recebendo relatos de violações de direitos humanos, incluindo abusos no ambiente profissional.
Fonte: g1



