Educação e Carreiras

Mercado de trabalho jovem expõe desigualdades e temor com a IA

O mercado de trabalho jovem brasileiro apresenta um cenário no qual a maioria já possui algum vínculo profissional, embora as condições de entrada permaneçam bastante desiguais.

O início da vida profissional no Brasil está cada vez mais marcado por uma combinação de urgência econômica, busca por autonomia e incerteza sobre o futuro das ocupações. Entre jovens de 16 a 29 anos, trabalho, estudo, redes de contato e tecnologia se cruzam de formas muito diferentes, conforme a condição social e o acesso a oportunidades.

Entrada no mercado ainda depende de contatos

Uma pesquisa do Observatório Fundação Itaú, com apoio do Datafolha e do Instituto Locomotiva, ouviu 1.816 brasileiros entre 16 e 29 anos para analisar trabalho, estudo e expectativas profissionais.

Entre os participantes, 70% estão empregados ou fazem estágio, mas essa presença expressiva no mercado não elimina obstáculos importantes para quem busca a primeira oportunidade.

A falta de experiência aparece como principal dificuldade para 49% dos entrevistados, problema que pesa especialmente sobre jovens sem histórico profissional ou acesso prévio a ambientes corporativos.

As conexões pessoais também exercem influência relevante, pois 77% daqueles que já trabalharam afirmam ter conseguido alguma vaga por meio de indicação.

A família ocupa posição central nesse processo, já que 46% dos jovens recorrem principalmente a parentes quando precisam de orientação sobre carreira e decisões profissionais.

Esse cenário mostra que o acesso ao mercado depende de fatores que ultrapassam currículo e escolaridade, com peso importante para experiências práticas e redes de relacionamento.

Renda altera relação com estudo

As diferenças econômicas ficam evidentes quando a pesquisa compara a capacidade de manter emprego e formação ao mesmo tempo entre jovens de diferentes classes sociais.

Nas classes A e B, 48% conseguem conciliar trabalho e estudo, enquanto esse percentual recua para 16% entre participantes pertencentes às classes D e E.

O recorte racial também revela diferenças relevantes, pois 38% dos jovens brancos mantêm as duas atividades, diante de 29% entre os jovens negros.

No total da amostra, 32% dividem a rotina entre estudo e trabalho, enquanto 39% permanecem exclusivamente em alguma atividade profissional durante o período analisado.

Outros 16% estão concentrados apenas nos estudos, ao passo que 13% não possuem vínculo atual com nenhuma dessas duas atividades consideradas na pesquisa.

Apesar dessas diferenças, 91% esperam melhorar de condição financeira dentro de cinco anos, enquanto 88% acreditam que poderão superar a situação econômica alcançada por seus pais.

As projeções profissionais também mudam com o tempo, pois o interesse pelo emprego formal cai de 30% no presente para 16% quando os entrevistados pensam nos próximos cinco anos.

No sentido oposto, a preferência pelo trabalho autônomo avança de 28% para 42%, sinal de maior interesse por independência profissional no futuro.

Inteligência artificial aumenta preocupação

A tecnologia ocupa uma posição contraditória na relação dos jovens com o mercado, porque aparece ao mesmo tempo como ferramenta de desenvolvimento e fonte de insegurança profissional.

Segundo a pesquisa, 97% utilizam internet ou recursos digitais para adquirir conhecimentos e desenvolver habilidades relacionadas à vida profissional.

Mesmo com essa forte integração tecnológica, 50% acreditam que os avanços podem reduzir oportunidades de emprego disponíveis para sua geração nos próximos anos.

A preocupação cresce quando o tema é inteligência artificial, já que 90% avaliam que muitos postos de trabalho poderão ser substituídos por sistemas automatizados.

Ainda assim, Tecnologia aparece entre as áreas de maior interesse profissional, citada por 22% dos entrevistados, enquanto Saúde lidera com 25%.

Os dados mostram que essa geração reconhece oportunidades criadas pela inovação, mas também percebe riscos concretos de transformação em tarefas tradicionalmente associadas ao início da carreira.

Amanda Cortonezi Silva

Colunista no segmento Educação e Carreiras | Coordenadora de Redação, especialista em Marketing de Conteúdo e tem mais de 7 anos de experiência em liderança. Possui forte conhecimento em desenvolvimento profissional, recrutamanto, formação de áreas, treinamento de equipes e educação corporativa.

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