Participação das mulheres na mineração cresce, mas liderança é limitada
Em 2024, as mulheres na mineração representam 23% da força de trabalho, mas apenas 11% ocupam cargos de liderança. A licença parental é subutilizada, evidenciando a necessidade de mudanças estruturais para promover inclusão e equidade de gênero no setor.
A diversidade na mineração está em foco, com mulheres ganhando espaço, mas ainda enfrentando barreiras significativas. O Relatório de Indicadores 2024, divulgado pelo Women in Mining Brasil em parceria com a Ernst&Young, destaca avanços em diversidade, equidade e inclusão, mas alerta para a necessidade urgente de mudanças estruturais.
Conquistas Importantes para Mulheres na Mineração
Historicamente marcada por uma predominância masculina, a indústria da mineração vem passando por uma transformação significativa nos últimos anos.
A presença feminina nesse setor tem crescido de forma consistente, impulsionada por políticas de inclusão, mudanças culturais e o comprometimento das empresas com a equidade de gênero.
Um dos marcos mais relevantes é o aumento da participação feminina na força de trabalho da mineração. Atualmente, as mulheres representam 23% do total de profissionais no setor, um avanço notável quando se considera que, por décadas, a presença feminina foi mínima ou até inexistente.
Essa representatividade não apenas contribui para a pluralidade de perspectivas e soluções dentro das empresas, como também demonstra o rompimento de barreiras históricas e culturais que limitavam o acesso das mulheres a esse tipo de carreira.
Outro indicador de progresso é a queda no índice de turnover feminino, que atualmente está em 17%. Essa redução mostra que as organizações não apenas estão contratando mais mulheres, mas também estão conseguindo retê-las por meio de ambientes mais inclusivos e oportunidades reais de crescimento.
Além disso, 86% das empresas do setor de mineração já realizam o monitoramento das diferenças salariais entre homens e mulheres.
Essa prática é fundamental para garantir que profissionais com as mesmas responsabilidades e qualificações recebam remuneração justa, independentemente do gênero.
O monitoramento constante permite identificar e corrigir disparidades, promovendo uma cultura de justiça e valorização do talento feminino.
Ainda há desafios a serem enfrentados, como o aumento da presença feminina em cargos de liderança e em áreas técnicas mais especializadas.
No entanto, os avanços registrados indicam que o setor está no caminho certo, construindo um futuro mais equilibrado e representativo para todos.
Desafios Estruturais Persistentes no Setor
Apesar dos avanços significativos em direção à equidade de gênero na mineração, o setor ainda enfrenta obstáculos importantes quando o tema é a consolidação da presença feminina em posições de destaque e a garantia de condições equitativas para sua permanência e progressão na carreira.
Um dos principais pontos de atenção é a baixa representatividade feminina em cargos de alta liderança. Apenas 11% das posições em conselhos administrativos são ocupadas por mulheres, um número que evidencia a sub-representação em espaços decisórios e estratégicos dentro das organizações.
A escassez de vozes femininas nessas esferas limita a diversidade de pensamento e a formulação de políticas mais inclusivas, reforçando estruturas de poder historicamente masculinas.
Outro dado preocupante é a diminuição nas promoções de mulheres em cargos gerenciais e operacionais no ano de 2024.
Esse retrocesso interrompe uma trajetória que vinha apresentando avanços e indica a necessidade de revisar os critérios e processos de promoção dentro das organizações.
A questão da licença parental também expõe fragilidades na estrutura de apoio às profissionais do setor. Apenas 28% das mulheres elegíveis utilizam esse benefício em sua totalidade, o que reflete inseguranças em relação à estabilidade no emprego.
A subutilização da licença parental reforça desigualdades no equilíbrio entre vida pessoal e profissional, prejudicando principalmente as mulheres em momentos cruciais de sua trajetória laboral.
Esses dados demonstram que, embora existam conquistas relevantes, ainda há um longo caminho a ser percorrido para que a mineração seja verdadeiramente equitativa.
As empresas precisam ir além das políticas declaratórias e investir em ações concretas, monitoráveis e sustentadas por lideranças comprometidas com a inclusão.
Fonte: Mundo RH



