Educação e Carreiras

Trabalhadores gastam um dia por semana corrigindo respostas de IA

O tempo gasto corrigindo respostas de IA passou a revelar uma contradição nas empresas, pois ferramentas criadas para acelerar processos também podem ampliar a carga de trabalho.

O uso crescente de inteligência artificial no ambiente corporativo criou uma nova camada de trabalho que nem sempre aparece nos indicadores de produtividade. Um levantamento da Glean mostra que profissionais podem dedicar quase um dia por semana à supervisão de bots, entre conferências, correções e tentativas de adaptar respostas aos padrões exigidos pelas empresas.

Botsitting e botshitting revelam novos riscos da IA

A adoção acelerada de ferramentas de inteligência artificial trouxe ganhos de produtividade, mas também criou uma tarefa adicional pouco visível nas rotinas profissionais.

Conhecida como botsitting, essa atividade envolve acompanhar respostas automáticas, conferir informações, corrigir inconsistências e reorganizar conteúdos antes que eles possam ser utilizados.

Em muitos casos, profissionais chegam a perder quase um dia inteiro de trabalho por semana apenas para revistar, ajustar e acompanhar o desempenho dessas ferramentas.

O problema se torna mais grave quando as plataformas apresentam respostas incorretas com aparência convincente, o que exige conhecimento técnico e atenção redobrada durante a verificação.

Por sua vez, o botshitting aparece como uma consequência desse desgaste, quando profissionais entregam conteúdos gerados por IA sem revisão suficiente, compreensão adequada ou capacidade para sustentar o material apresentado.

O levantamento da Glean indica ainda que quase 70% dos usuários de inteligência artificial já admitiram adotar esse comportamento em alguma situação profissional.

Empresas precisam definir critérios mais claros para o uso da IA

Sem parâmetros objetivos de qualidade, o profissional precisa decidir sozinho se o conteúdo está correto, adequado ao contexto e compatível com os objetivos da organização.

Essa responsabilidade aumenta o desgaste mental e pode reduzir os benefícios esperados com a automação, principalmente em atividades que envolvem dados sensíveis ou decisões importantes.

A prática tende a aparecer com maior frequência entre usuários intensivos da tecnologia, integrantes da geração Z, homens e profissionais que ocupam funções de gestão.

Para enfrentar esse cenário, as empresas precisam ir além da simples expansão do acesso às ferramentas e estabelecer critérios objetivos para orientar sua aplicação.

Equipes com melhores resultados costumam definir o contexto das tarefas, os padrões esperados, os limites de uso e as responsabilidades pela revisão final.

Com essas regras, a inteligência artificial pode apoiar o trabalho sem transferir aos funcionários uma carga excessiva de fiscalização ou incentivar entregas pouco confiáveis.

Amanda Cortonezi Silva

Colunista no segmento Educação e Carreiras | Coordenadora de Redação, especialista em Marketing de Conteúdo e tem mais de 7 anos de experiência em liderança. Possui forte conhecimento em desenvolvimento profissional, recrutamanto, formação de áreas, treinamento de equipes e educação corporativa.

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