Exportações de carne bovina batem recorde no 1° semestre, mas setor está preocupado

As exportações de carne bovina ampliaram sua presença em diferentes mercados, movimento considerado essencial para reduzir a dependência comercial de poucos países compradores.

O Brasil obteve um desempenho histórico nas vendas externas de carne bovina entre janeiro e junho de 2026, com receita de US$ 9,929 bilhões e crescimento anual de 33,4%, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Embora o desempenho confirme a força do setor no mercado internacional, o esgotamento da cota chinesa e as exigências da União Europeia ampliam as incertezas para os próximos meses.

Carne bovina bate recorde no semestre

O setor brasileiro de carne bovina encerrou os seis primeiros meses de 2026 com o maior resultado já registrado para esse período em receita e quantidade embarcada.

As vendas externas alcançaram US$ 9,929 bilhões, valor que representa crescimento de 33,4% na comparação com o desempenho observado entre janeiro e junho de 2025.

O volume comercializado chegou a 1,811 milhão de toneladas, com avanço de 7,3%, segundo informações da Secretaria de Comércio Exterior e da Associação Brasileira de Frigoríficos.

A diferença entre o aumento da receita e a expansão física indica uma valorização relevante do produto exportado, além de condições comerciais mais favoráveis em mercados estratégicos.

A China permaneceu como principal destino da carne brasileira e respondeu por US$ 4,818 bilhões, após ampliar suas compras em mais de 50% sobre o ano anterior.

Estados Unidos e Chile também elevaram suas aquisições, fato que ajudou a sustentar o desempenho positivo e reduziu parcialmente a concentração das vendas no mercado chinês.

O resultado confirma a força internacional da cadeia brasileira, mas também evidencia a dependência de compradores capazes de alterar rapidamente suas políticas comerciais e sanitárias.

China e União Europeia elevam os riscos

O cenário favorável do primeiro semestre poderá perder força após o esgotamento quase completo da cota chinesa destinada às importações de carne bovina brasileira.

Os embarques realizados até junho consumiram praticamente todo o limite disponível, enquanto os volumes excedentes passaram a enfrentar uma sobretaxa de 55% no mercado asiático.

Ao mesmo tempo, a União Europeia condicionou a continuidade das compras à comprovação de que a produção brasileira não utiliza antimicrobianos com finalidade de estimular o crescimento animal.

Caso o país não apresente um modelo de certificação aceito pelas autoridades europeias, as importações poderão sofrer suspensão a partir de setembro de 2026.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) avalia que as mudanças necessárias na cadeia produtiva podem exigir até 30 meses, período muito superior ao intervalo disponível antes da aplicação das novas regras.

Novos mercados reduzem a dependência

A ampliação das vendas para outros países tornou-se essencial diante das incertezas que cercam os mercados chinês e europeu no restante de 2026.

Além dos Estados Unidos e do Chile, Rússia, Hong Kong, Arábia Saudita e Egito ampliaram as aquisições, com participação relevante na absorção dos volumes que dependeriam de poucos compradores tradicionais.

Ao todo, 118 países compraram mais carne brasileira no primeiro semestre, enquanto 55 reduziram suas encomendas, segundo o levantamento apresentado pela Abrafrigo.

A expansão dessa base comercial poderá proteger o setor contra decisões unilaterais, restrições sanitárias e mudanças tarifárias impostas pelos principais destinos internacionais.

Mesmo assim, a diversificação exige negociações diplomáticas, adequações regulatórias e estratégias comerciais capazes de transformar mercados menores em compradores constantes e relevantes.

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