A indústria da construção enfrenta desafios financeiros no 2º trimestre, com altas taxas de juros afetando margens e o acesso ao crédito.
A construção brasileira perdeu dinamismo no segundo trimestre, enquanto os empresários reduziram suas expectativas para atividade, emprego, novos projetos e compra de insumos. As informações constam em pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), produzida em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Construção perde ritmo e emprego acompanha retração
A indústria da construção encerrou o segundo trimestre de 2026 com sinais mais claros de enfraquecimento, após uma piora simultânea nos indicadores de atividade e ocupação.
O índice responsável por medir o desempenho operacional recuou de 49,1 para 47,2 pontos, variação negativa de 1,9 ponto que confirma retração setorial.
Como resultados inferiores a 50 pontos representam queda, o movimento revela dificuldades das empresas para sustentar obras, contratos e serviços no mesmo ritmo anterior.
O mercado de trabalho também refletiu essa perda de fôlego, pois o indicador relacionado ao número de empregados caiu de 48,5 para 47,9 pontos.
Embora o quadro geral tenha piorado, a Utilização da Capacidade Instalada permaneceu em 67%, percentual idêntico ao registrado no mesmo mês do ano anterior.
Desde o começo de 2026, esse indicador acumulou avanço de três pontos percentuais, mas a estabilidade recente não foi suficiente para alterar o cenário negativo.
O crédito caro aparece como uma das principais explicações para as dificuldades enfrentadas pelas construtoras, sobretudo nos projetos que dependem de financiamento prolongado.
No segundo trimestre, 36,2% dos empresários apontaram os juros elevados como o maior obstáculo, acima dos 34,9% observados nos três meses anteriores.
Taxas mais altas encarecem novos investimentos, pressionam dívidas já contratadas e reduzem o espaço financeiro disponível para expansão, contratação e aquisição de equipamentos.
Esse ambiente também limita o lançamento de projetos, porque clientes, incorporadoras e empresas passam a adotar decisões mais cautelosas diante do custo financeiro.
Expectativas negativas reduzem intenção de investimento
Os indicadores de expectativas pioraram em julho e ficaram abaixo da marca de 50 pontos, situação que indica pessimismo entre os empresários da construção.
A previsão para o nível de atividade caiu 3,7 pontos e chegou a 49,2, enquanto a estimativa para o emprego recuou 3,6 pontos, até 49,1.
O indicador associado a novos empreendimentos e serviços também perdeu 3,6 pontos e alcançou 48,9, sinalizando menor expectativa para contratos e lançamentos.
A intenção de compra de matérias-primas sofreu a maior redução do conjunto, com queda de 4,5 pontos e resultado final de 48,3.
Esses números mostram que as empresas preveem menor atividade, menos vagas, redução de novos projetos e compras mais restritas nos próximos meses.
A última vez que todos esses indicadores ficaram simultaneamente no campo negativo ocorreu em abril de 2020, período marcado por forte instabilidade econômica.
A piora das perspectivas também atingiu o Índice de Confiança do Empresário Industrial, que recuou 2,1 pontos e terminou julho em 45,6.
Com a confiança abaixo do nível considerado positivo, o setor tende a adotar maior cautela antes de ampliar equipes, iniciar obras ou assumir compromissos financeiros.
