Indústria e Tendências

G7 propõe limitar a 60% importações de terras-raras da China

A segurança no acesso a minerais usados em tecnologia, energia limpa e defesa entrou na agenda do G7, que busca diminuir a dependência das importações de terras-raras da China.

A concentração da produção e do refino de terras-raras nas mãos da China voltou a preocupar as principais economias do mundo. Para reduzir essa dependência, o G7, composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, pretende estabelecer um limite de 60% para a participação de um único país fornecedor nas importações desses minerais críticos até 2030, reforçando a busca por alternativas mais seguras para abastecer setores estratégicos da economia.

Medidas do G7 para diversificação de fornecedores

A decisão do G7 de criar novas regras para minerais críticos mostra que o acesso a insumos estratégicos deixou de ser apenas uma questão industrial e passou a fazer parte da segurança econômica dos países mais ricos.

Durante a cúpula em Évian-les-Bains, o grupo discutiu formas de reduzir riscos em cadeias que abastecem setores como energia limpa, defesa, eletrônicos, baterias e tecnologias digitais.

A principal preocupação está na concentração global do fornecimento, especialmente em minerais como terras-raras, que têm papel essencial na fabricação de equipamentos modernos.

Como a China ocupa posição dominante em diferentes etapas dessa cadeia, os países do G7 querem diminuir a exposição de suas indústrias a eventuais restrições comerciais, disputas diplomáticas ou interrupções logísticas.

Uma das propostas apresentadas prevê que, até 2030, empresas não concentrem mais de 60% de suas importações de minerais críticos em um único fornecedor.

A medida busca forçar uma reorganização gradual dos contratos, criando espaço para novos produtores e reduzindo a dependência de mercados considerados vulneráveis do ponto de vista geopolítico.

Além das cotas, o grupo pretende estimular investimentos em projetos de mineração, refino e reciclagem em países capazes de ampliar a oferta internacional desses materiais.

A estratégia também inclui o aproveitamento de resíduos industriais e equipamentos descartados, já que a reciclagem pode aliviar parte da pressão sobre a extração mineral tradicional.

Outro ponto previsto é a criação de uma estrutura de coordenação entre governos e empresas para identificar gargalos, mapear fornecedores alternativos e acelerar projetos considerados prioritários.

Essa articulação deve ajudar os países do G7 a responder com mais rapidez a crises de abastecimento e a organizar políticas conjuntas para setores dependentes desses insumos.

A iniciativa sinaliza uma tentativa de redesenhar o mercado global de minerais críticos antes que novas tensões afetem a produção industrial.

Para o G7, diversificar fornecedores significa proteger fábricas, reduzir riscos de paralisação, manter competitividade tecnológica e garantir acesso contínuo a materiais essenciais para a transição energética.

Brasil pode ganhar espaço no mercado de terras-raras

As terras-raras formam um conjunto de 17 elementos químicos usados em tecnologias consideradas estratégicas, como veículos elétricos, turbinas eólicas, smartphones, radares, mísseis e equipamentos industriais avançados.

A relevância desses minerais cresceu com a transição energética e com a disputa global por componentes essenciais para baterias, semicondutores, sistemas de defesa e eletrônicos de alto desempenho.

Hoje, a China concentra grande parte da produção e do refino mundial de terras-raras, o que aumenta a preocupação de países que dependem desses insumos para setores sensíveis.

Nesse cenário, o Brasil aparece como um possível beneficiário da busca por novos fornecedores, já que possui a segunda maior reserva conhecida de terras-raras no mundo.

O potencial brasileiro, porém, ainda enfrenta obstáculos importantes, como baixa escala de produção, falta de infraestrutura, necessidade de investimentos em pesquisa e ausência de uma cadeia industrial consolidada.

Além da mineração, o país precisa avançar em etapas de separação, processamento e refino, que são justamente as fases mais complexas e de maior valor agregado desse mercado.

Sem domínio tecnológico nessas etapas, o Brasil corre o risco de permanecer apenas como fornecedor de matéria-prima, sem capturar os maiores ganhos econômicos da cadeia.

A oportunidade existe, mas depende de planejamento industrial, segurança regulatória, atração de capital e integração entre governo, universidades, mineradoras e empresas de tecnologia.

Jéssica Rocha

Colunista no segmento Indústria e Tendências | Diretora de Operações com atuação direta em áreas Operacionais, Comerciais, de Marketing, Tecnologia, entre outras, sempre atenta às tendências globais que impactam a indústria, o mercado empresarial e a economia mundial.

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