Indústria e Tendências

Preços da construção variam 0,44% em agosto

Sinapi avança 0,44% no mês, enquanto mão de obra supera materiais no resultado mensal e mantém maior pressão também nos períodos acumulados

Os preços da construção alcançaram R$ 1.993,76 por metro quadrado em agosto, após o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), divulgado pelo IBGE, registrar avanço de 0,44% pelo segundo mês consecutivo. Embora a taxa geral tenha repetido o resultado de julho, a composição do índice mudou, com aceleração da mão de obra e perda de força nos preços dos materiais.

Custo da construção se aproxima de R$ 2 mil

A passagem de R$ 1.985,10 em julho para R$ 1.993,76 por metro quadrado em agosto acrescentou R$ 8,66 ao custo médio nacional considerado pelo Sinapi.

Dentro desse valor, os insumos responderam por R$ 1.124,06, enquanto os gastos associados aos profissionais do setor corresponderam aos outros R$ 869,70 por metro quadrado.

Os materiais subiram 0,35% no mês, resultado inferior aos 0,48% registrados em julho e suficiente para mostrar uma desaceleração desse componente dentro do orçamento das obras.

Em sentido diferente, a mão de obra avançou 0,55%, contra 0,39% no mês anterior, após acordos e convenções coletivas influenciarem os custos profissionais em diferentes localidades.

A leitura acumulada reforça uma diferença que não aparece com a mesma intensidade na taxa mensal, pois os gastos com trabalhadores avançam mais rapidamente que os insumos.

Desde janeiro, a mão de obra acumula alta de 6,95%, enquanto os materiais registram 4,24%, diferença que se amplia na comparação dos últimos doze meses.

Nesse intervalo mais longo, os custos profissionais cresceram 8,88%, contra 5,65% dos materiais, o que mostra uma pressão proporcionalmente maior dessa parcela sobre as despesas da construção.

O índice geral acumulou 7,03% em doze meses, abaixo dos 7,40% registrados na leitura imediatamente anterior, apesar da manutenção da taxa mensal em agosto.

Na comparação com agosto de 2025, a alta mensal atual também aparece em patamar inferior, pois naquele período o índice havia avançado 0,79%.

A mesma diferença ocorre na mão de obra, cuja variação de 0,55% ficou distante dos 1,18% observados no mesmo mês do ano anterior.

Sul concentra maior avanço entre as regiões

As diferenças territoriais foram mais expressivas que o resultado nacional, com o Sul no topo das variações regionais após registrar alta de 1,15% durante agosto.

O movimento recebeu influência principalmente dos reajustes profissionais ocorridos no Paraná, estado que apresentou crescimento de 2,25% nos custos considerados pelo levantamento.

Centro-Oeste e Norte também ficaram acima da média brasileira, com avanços de 0,87% e 0,85%, respectivamente, enquanto Nordeste e Sudeste registraram taxas menores, de 0,19% e 0,18%.

Entre as unidades da federação, o Amazonas ocupou a primeira posição no mês, após acordos coletivos contribuírem para uma elevação de 2,67%.

Mato Grosso do Sul apareceu logo depois, com avanço de 2,34%, enquanto o Distrito Federal alcançou 2,11%, em um conjunto de resultados também relacionado às negociações trabalhistas do período.

Esses movimentos mostram como alterações salariais localizadas podem produzir diferenças relevantes entre estados, mesmo quando o índice nacional apresenta pouca mudança de um mês para outro.

Desoneração altera custo médio das obras

Na metodologia que considera a desoneração da folha, o custo nacional ficou em R$ 1.993,76 por metro quadrado, com avanço acumulado de 5,41% no ano e de 7,03% em doze meses.

Entre as regiões, o Sul apresentou o maior valor médio nesse cenário, com R$ 2.130,22 por metro quadrado, enquanto o Nordeste registrou R$ 1.871,33.

Quando o cálculo desconsidera a desoneração, o custo médio brasileiro sobe para R$ 2.099,73 por metro quadrado, com variação mensal de 0,45% em agosto.

Nesse recorte, a alta acumulada alcança 4,13% no ano e 5,75% em doze meses, enquanto o Sul mantém a liderança regional, com R$ 2.251,29 por metro quadrado.

Acre, Santa Catarina, Rondônia e Rio de Janeiro aparecem ainda entre os estados com maiores custos médios na tabela nacional, reforçando a distância existente entre diferentes mercados regionais.

Ao mesmo tempo, os dados de agosto indicam que a pressão sobre os orçamentos das obras permanece mais concentrada na mão de obra quando a análise considera períodos acumulados.

Jéssica Rocha

Colunista no segmento Indústria e Tendências | Diretora de Operações com atuação direta em áreas Operacionais, Comerciais, de Marketing, Tecnologia, entre outras, sempre atenta às tendências globais que impactam a indústria, o mercado empresarial e a economia mundial.

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