Indústria e Tendências

Preços da indústria caem 0,77% em junho

Os preços da indústria diminuíram 0,77% em junho, sob influência de petróleo, minério de ferro, gás natural e produtos químicos.

Os preços praticados na saída das fábricas brasileiras recuaram novamente em junho de 2026, conforme o Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado pelo IBGE. O resultado refletiu principalmente a desvalorização de commodities, produtos petroquímicos e derivados de petróleo, enquanto bens de capital, consumo e alguns setores industriais apresentaram variações positivas no mesmo período.

Preços industriais recuam pelo segundo mês consecutivo

Os preços praticados pelas indústrias brasileiras caíram 0,77% em junho de 2026, conforme o Índice de Preços ao Produtor, divulgado pelo IBGE.

O resultado manteve a trajetória observada em maio, quando a variação mensal havia registrado queda de 0,30% perante abril daquele mesmo ano.

O indicador acompanha os valores cobrados na saída das fábricas, sem considerar impostos e despesas com frete, além de abranger atividades extrativas e segmentos de transformação.

Entre as 24 atividades avaliadas pela pesquisa, seis apresentaram redução nos preços médios durante junho, número inferior às oito quedas registradas no levantamento anterior.

Apesar da retração mensal, o índice acumulou alta de 3,99% no primeiro semestre, quarto maior resultado para junho desde o início da série histórica, em 2014.

Na comparação com os doze meses anteriores, os preços industriais avançaram 2,51%, acima dos 2% contabilizados pelo mesmo indicador durante maio.

Entre as grandes categorias econômicas, os bens intermediários apresentaram redução de 1,70% e exerceram a principal pressão negativa sobre o resultado geral da indústria.

Os bens de capital avançaram 1,02%, enquanto os bens de consumo registraram alta de 0,25%, com variações positivas nas modalidades duráveis e não duráveis.

Extrativos e químicos concentram as principais quedas

As indústrias extrativas lideraram o recuo mensal, com queda de 11,85%, responsável por retirar 0,56 ponto percentual da variação total registrada pelo setor industrial.

Os preços menores do minério de ferro, do petróleo bruto e do gás natural acompanharam o comportamento internacional dessas commodities durante o período analisado.

A normalização temporária do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz contribuiu para aliviar as preocupações com interrupções na oferta mundial de petróleo, embora novos ataques permaneçam capazes de alterar esse cenário rapidamente.

Mesmo após dois meses consecutivos de queda, as indústrias extrativas acumularam alta de 2,05% no primeiro semestre e avanço de 2,64% em doze meses.

A indústria química apresentou redução de 2,74%, segunda maior queda entre as atividades pesquisadas, após três meses consecutivos de forte elevação nos preços.

O recuo refletiu principalmente a acomodação dos produtos petroquímicos e a diminuição das cotações da nafta, insumo relevante para diferentes etapas da produção química.

O refino de petróleo e os biocombustíveis registraram queda de 2,30%, influenciada sobretudo pela redução nos preços do óleo diesel na saída das unidades produtoras.

Mesmo com a baixa mensal, esse setor acumulou elevação de 5,78% no ano e manteve avanço de 5,50% na comparação com junho de 2025.

O segmento de minerais não metálicos recuou 1,45%, sob influência de produtos como cimento Portland, massa de concreto e argamassas utilizadas pela construção.

Na direção oposta, os móveis avançaram 2,08%, enquanto a metalurgia registrou alta de 0,29% e completou o terceiro mês consecutivo com preços maiores.

O setor de alimentos apresentou estabilidade próxima, com elevação de 0,10%, após a queda mais intensa de 2% observada durante o mês anterior.

Carnes bovinas ficaram mais baratas após a redução da procura externa, especialmente da China, enquanto óleo de soja e produtos avícolas exerceram influência positiva.

Jéssica Rocha

Colunista no segmento Indústria e Tendências | Diretora de Operações com atuação direta em áreas Operacionais, Comerciais, de Marketing, Tecnologia, entre outras, sempre atenta às tendências globais que impactam a indústria, o mercado empresarial e a economia mundial.

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