Preços da indústria caem 0,30% em maio com influência de alimentos

Preços da indústria tiveram queda mensal em maio, mas o acumulado do ano ainda mostra avanço relevante nos custos praticados pelo setor produtivo.

Os preços medidos na porta das fábricas brasileiras passaram por uma mudança de direção em maio, ao variarem -0,30%, segundo o Índice de Preços ao Produtor das Indústrias Extrativas e de Transformação, divulgado pelo IBGE. O resultado veio após abril fechar com alta de 2,63% e refletiu movimentos diferentes entre os setores industriais, com destaque para açúcar, café, borracha e plástico. Mesmo com a variação mensal abaixo de zero, o indicador manteve alta de 4,80% nos cinco primeiros meses de 2026, a quarta maior para maio desde o início da série histórica, em 2014, além de acumular 1,99% em 12 meses.

Cana e café pressionam preços industriais em maio

A indústria de alimentos foi uma das principais responsáveis pela queda dos preços industriais em maio, com variação negativa de 2,05% na comparação com o mês anterior.

No açúcar, o avanço da safra de cana ampliou a oferta de matéria-prima e levou o segmento de fabricação e refino a registrar recuo de 10,38%.

O café também pesou no desempenho do setor, já que o período de colheita ampliou a disponibilidade do grão e interferiu na formação dos preços industriais.

Mesmo com o peso dos alimentos no índice geral, o desempenho da indústria em maio não foi uniforme, já que outros segmentos apresentaram comportamentos distintos conforme custos, demanda e dinâmica de produção.

Borracha e plástico se destacam entre altas do mês

Enquanto alimentos ajudaram a explicar a variação geral da indústria, outros setores seguiram em direção oposta e registraram aumentos em maio.

Borracha e plástico avançou 4,80%, madeira subiu 3,08% e outros produtos químicos tiveram alta de 2,14%, ao passo que as indústrias extrativas marcaram variação de -5,90%.

O setor de borracha e plástico também se destacou no acumulado recente, com alta de 14,78% entre janeiro e maio de 2026.

Dentro da atividade, os produtos de material plástico avançaram 6,59% apenas em maio e acumularam 21,83% em três meses, segundo o IBGE.

Esse movimento foi associado aos efeitos de aumentos anteriores nos derivados de petróleo, que continuaram sendo repassados ao longo da cadeia produtiva.

No acumulado do ano, outros produtos químicos tiveram a maior variação entre as atividades destacadas, com 20,28%, seguidos por indústrias extrativas, com 15,78%, borracha e plástico, com 14,78%, e refino de petróleo e biocombustíveis, com 8,27%.

Nas grandes categorias econômicas, os bens de consumo registraram variação de -0,34%, os bens intermediários ficaram em -0,29% e os bens de capital marcaram -0,21%.

Entre os bens de consumo, os duráveis avançaram 0,09%, enquanto os semiduráveis e não duráveis tiveram variação de -0,42% em maio.

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