Indústria e Tendências

Querosene de aviação fica 57,6% mais caro em um ano

O querosene de aviação tornou-se um dos principais pontos de atenção para companhias aéreas, consumidores e autoridades responsáveis pelo acompanhamento dos custos do transporte.

O setor aéreo brasileiro enfrenta uma pressão expressiva sobre suas despesas após o querosene de aviação alcançar uma alta anual de 57,6% em junho de 2026. Conforme informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o movimento ocorreu em meio às oscilações do petróleo provocadas pelo agravamento da guerra no Oriente Médio.

Combustível pressiona despesas das companhias aéreas

Em junho de 2026, o querosene de aviação ficou 57,6% mais caro do que no mesmo mês de 2025, conforme dados divulgados pela Anac.

Como o combustível representa uma parcela relevante das despesas de cada voo, alterações expressivas em sua cotação afetam planejamento financeiro, definição de rotas e oferta de assentos.

Mesmo diante dessa pressão, o valor médio das passagens apresentou crescimento anual de apenas 0,3%, resultado muito inferior ao avanço observado no custo do querosene.

Essa diferença mostra que as companhias não transferiram integralmente a alta do combustível aos passageiros, embora o aumento tenha reduzido a margem disponível para absorver novas despesas.

A manutenção dos preços em nível próximo ao registrado no ano anterior também evitou uma queda mais intensa na demanda, especialmente entre consumidores sensíveis a reajustes.

Medidas fiscais limitaram reajustes nas tarifas aéreas

A isenção das contribuições de Pis e Cofins, somada à suspensão temporária de tarifas de navegação aérea, reduziu parte das despesas enfrentadas pelas companhias.

Essas iniciativas ajudaram a compensar o encarecimento do querosene e impediram que a variação do combustível provocasse aumentos proporcionais nos bilhetes comercializados.

O equilíbrio, porém, permanece vulnerável porque novos avanços no preço do petróleo podem elevar novamente os custos das empresas e enfraquecer o efeito das medidas adotadas.

Uma eventual prolongação da guerra no Oriente Médio aumentaria o risco de instabilidade no fornecimento de energia, com possíveis reflexos sobre o preço internacional do combustível.

Caso essa pressão permaneça por um período extenso, o setor poderá precisar de novas ações para preservar a oferta de voos e evitar repasses elevados aos consumidores.

Jéssica Rocha

Colunista no segmento Indústria e Tendências | Diretora de Operações com atuação direta em áreas Operacionais, Comerciais, de Marketing, Tecnologia, entre outras, sempre atenta às tendências globais que impactam a indústria, o mercado empresarial e a economia mundial.

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