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Mais de 4 mil produtos brasileiros podem sofrer tarifas adicionais dos EUA

Os EUA estão considerando tarifas adicionais que podem aumentar os impostos sobre mais de 4 mil produtos brasileiros em até 37,5%, o que atinge US$ 14,9 bilhões em exportações.

A possibilidade de novas tarifas dos Estados Unidos contra produtos brasileiros colocou a Confederação Nacional da Indústria (CNI) em alerta sobre os efeitos da medida no comércio bilateral. O aumento das cobranças pode alcançar milhares de itens exportados pelo Brasil, reduzir competitividade, pressionar contratos e afetar empresas americanas que dependem de insumos nacionais em suas operações.

Tarifas podem atingir US$ 14,9 bilhões em vendas brasileiras

Caso as tarifas adicionais entrem em vigor, mais de 4 mil produtos brasileiros poderão enfrentar uma cobrança de até 37,5% para entrar no mercado dos Estados Unidos, segundo levantamento da CNI.

O volume potencialmente afetado chega a US$ 14,9 bilhões em exportações, valor que mostra o peso da medida para setores brasileiros com forte presença no comércio norte-americano.

A elevação das taxas tende a reduzir a competitividade dos produtos nacionais, principalmente em segmentos nos quais margens apertadas e contratos de longo prazo dificultam a absorção de custos extras.

Entre os itens mais sensíveis estão insumos intermediários usados por cadeias produtivas dos dois países, o que amplia o alcance econômico das tarifas para além dos exportadores brasileiros.

Com produtos mais caros, empresas dos Estados Unidos que dependem desses materiais podem enfrentar aumento de custos, necessidade de rever fornecedores e perda de eficiência em suas operações.

Para o Brasil, o risco envolve queda nas vendas, redirecionamento de embarques e maior pressão sobre setores que têm os Estados Unidos como um dos principais destinos comerciais.

Diante desse cenário, companhias brasileiras podem ser obrigadas a buscar novos mercados, renegociar contratos ou ajustar estratégias de exportação para reduzir perdas financeiras.

Audiências avançam com maioria contrária às tarifas

As audiências públicas sobre as tarifas adicionais propostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros já estão em andamento em Washington e reúnem representantes de empresas, entidades setoriais e autoridades interessadas no resultado da investigação comercial.

Durante as sessões, os participantes apresentam argumentos sobre os possíveis efeitos das medidas, com foco nos impactos que a elevação de custos poderia gerar para cadeias produtivas dos dois países.

Ao todo, 80 representantes se inscreveram para participar das audiências, sendo que 66 se posicionam contra a aplicação das novas cobranças sobre produtos brasileiros.

Nesse cenário, o Brasil conta com apoio de grandes empresas nos Estados Unidos, como Tesla, Coca-Cola, Nestlé e eBay, além de associações ligadas a produtos de madeira, sementes e café.

No caso da associação cafeeira, a solicitação é que as isenções já anunciadas para o setor sejam ampliadas para incluir o café solúvel a granel.

Empresas e associações afirmam que muitos produtos brasileiros fazem parte de cadeias integradas nos Estados Unidos, o que tornaria a substituição por fornecedores locais difícil ou mais cara no curto prazo.

A decisão final sobre a aplicação das tarifas deve ser anunciada até 15 de julho, prazo que mantém o setor produtivo em alerta sobre possíveis mudanças no comércio bilateral.

Até lá, entidades como a Confederação Nacional da Indústria defendem a continuidade do diálogo entre Brasil e Estados Unidos, ao tratar a cooperação como alternativa mais eficiente do que novas barreiras comerciais.

Jéssica Rocha

Colunista no segmento Indústria e Tendências | Diretora de Operações com atuação direta em áreas Operacionais, Comerciais, de Marketing, Tecnologia, entre outras, sempre atenta às tendências globais que impactam a indústria, o mercado empresarial e a economia mundial.

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