Saúde, Segurança e Meio Ambiente

Crise ambiental já afeta saúde emocional de brasileiros

A preocupação com o desaparecimento permanente de elementos únicos da natureza apareceu em 88% das respostas, um dos sinais mais recorrentes observados pela pesquisa.

A relação entre crise ambiental e saúde emocional ganhou novos dados no Brasil após uma pesquisa avaliar como eventos extremos, perda de biodiversidade e deterioração dos ecossistemas aparecem associados ao sofrimento psicológico. O trabalho, desenvolvido pela Natura com a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, também testou ferramentas inéditas para medir esse impacto.

Estudo investiga efeitos emocionais da crise ambiental

A degradação da natureza passou a ser analisada também como um fator capaz de interferir na experiência emocional das pessoas, especialmente em regiões expostas a mudanças ambientais intensas.

Uma pesquisa conduzida pela Natura em parceria com a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo reuniu mais de 1.750 participantes para examinar essa relação.

O trabalho faz parte do Projeto Apoena e combina psicologia, neurociência e recursos de inteligência artificial para observar como diferentes pressões ambientais aparecem associadas ao bem-estar.

Entre os fenômenos considerados estão perda de biodiversidade, queimadas, poluição e eventos climáticos extremos, fatores que podem alterar a percepção de segurança e pertencimento das populações.

Os pesquisadores também validaram uma escala brasileira específica para medir solastalgia, conceito usado para descrever sofrimento emocional associado à transformação negativa do ambiente onde a pessoa vive.

A média registrada nessa avaliação chegou a 3,90 em uma escala de um a cinco, resultado que indica presença relevante desse tipo de desconforto entre os participantes.

As pontuações mais altas apareceram sobretudo em áreas urbanizadas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, regiões que enfrentam diferentes tipos de pressão ambiental e episódios climáticos severos.

Ansiedade aparece em 44,7% dos participantes

Outro resultado importante mostrou que 44,7% das pessoas avaliadas ficaram acima do limite clínico utilizado para identificar sinais de ansiedade no levantamento.

Esse dado amplia a discussão porque mostra que os impactos ambientais podem aparecer acompanhados de sintomas emocionais mais amplos, além do sofrimento diretamente relacionado à perda de referências naturais.

A preocupação com o desaparecimento definitivo de elementos únicos da natureza também teve forte presença, com menção de 88% das pessoas incluídas na pesquisa.

O estudo analisou ainda pequenos registros de voz para verificar se alterações emocionais poderiam aparecer em características acústicas observáveis por métodos computacionais.

Foram examinados 68 atributos vocais, dos quais dez apresentaram relação com 57% da variação encontrada nos indicadores de bem-estar subjetivo utilizados pelos pesquisadores.

Essa frente pode abrir espaço para novos métodos de acompanhamento emocional em populações afetadas por enchentes, secas, incêndios florestais e outros eventos de grande impacto.

Rotina e contato com a natureza entram na análise

Além dos sinais de sofrimento, o levantamento procurou identificar hábitos associados a melhores resultados de bem-estar entre diferentes grupos de participantes.

Ficar em casa durante períodos de descanso apareceu como principal forma de lazer para 47,9% dos entrevistados, enquanto práticas de autocuidado tiveram peso relevante entre as mulheres.

Nesse recorte, 87% citaram o banho diário como atividade relacionada ao bem-estar, enquanto 71,9% apontaram cuidados com pele e cabelos.

O cultivo de plantas dentro de casa também apresentou associação positiva com os indicadores avaliados, o que reforça o interesse científico sobre contato cotidiano com elementos naturais.

Os resultados sugerem que a relação entre ambiente e saúde emocional envolve tanto fatores de exposição quanto hábitos capazes de oferecer sensação de conforto e estabilidade.

Com essa abordagem, o estudo amplia a discussão sobre crise ambiental ao mostrar que seus efeitos podem alcançar dimensões psicológicas que ainda recebem pouca atenção em políticas de prevenção e bem-estar.

*Com informações Um Só Planeta

Gabriele Noda

Colunista no segmento Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) | Gabriele Noda é Supervisora de Customer Success e possui mais de 8 anos de experiência no mercado industrial, o que a capacita a traduzir dados científicos em análises acessíveis sobre saúde, segurança e meio ambiente.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo