Dona do Ozempic processa fabricante do Mounjaro e afirma que a publicidade da concorrente pode ter distorcido a percepção dos consumidores sobre a eficácia dos medicamentos.
A Novo Nordisk abriu uma nova frente na disputa pelo mercado de medicamentos para obesidade e diabetes ao processar a Eli Lilly por suposta propaganda enganosa. A empresa afirma que anúncios sobre Zepbound e Mounjaro apresentaram comparações baseadas em pesquisas antigas, além de confrontarem doses mais elevadas dos produtos da rival com quantidades menores de seus próprios tratamentos.
Novo Nordisk leva disputa publicitária aos tribunais
A Novo Nordisk apresentou uma ação judicial contra a Eli Lilly após identificar campanhas que, segundo a empresa dinamarquesa, transmitiram informações distorcidas sobre medicamentos voltados ao controle do diabetes e da obesidade.
A acusação sustenta que a concorrente utilizou pesquisas antigas para estabelecer comparações entre doses distintas, o que teria favorecido artificialmente os resultados associados aos produtos Zepbound e Mounjaro.
De acordo com a fabricante do Ozempic, as peças publicitárias confrontaram quantidades maiores dos medicamentos da Eli Lilly com dosagens menores dos tratamentos rivais, sem esclarecer adequadamente essa diferença ao público.
A Novo Nordisk argumenta que esse método de comparação poderia induzir consumidores a interpretar os produtos da concorrente como superiores, mesmo sem equivalência entre as condições analisadas nos estudos apresentados.
Campanhas alcançaram redes sociais e transmissões esportivas
Os anúncios questionados apareceram em plataformas como TikTok e Facebook, além de espaços publicitários vinculados a transmissões esportivas com alcance internacional e elevada exposição entre consumidores.
Na avaliação da Novo Nordisk, as campanhas deixaram de apresentar informações clínicas relevantes, necessárias para que o público compreendesse as diferenças entre doses, pesquisas e resultados terapêuticos citados.
A empresa também afirma que observações inseridas em letras pequenas não compensam uma mensagem principal capaz de influenciar a percepção sobre a eficácia dos medicamentos anunciados.
John F. Kuckelman, responsável pela área jurídica da Novo Nordisk, defendeu que companhias do setor de saúde devem apresentar dados atuais, precisos e contextualizados em toda comunicação direcionada aos consumidores.
Disputa com a Eli Lilly não representa caso isolado
A ação contra a Eli Lilly não constitui a única iniciativa judicial recente da Novo Nordisk contra empresas ligadas ao mercado de medicamentos para diabetes e obesidade.
A farmacêutica dinamarquesa também acionou a EMS e o Instituto Nacional da Propriedade Industrial para questionar a concessão do registro da marca Ozivy à companhia brasileira.
Segundo a Novo Nordisk, a denominação escolhida apresenta semelhanças com as marcas “Ozempic” e “Wegovy”, dois dos principais produtos mantidos pela empresa nesse segmento terapêutico.
A companhia sustenta que essa proximidade entre os nomes pode provocar associações equivocadas entre os consumidores e prejudicar a identificação correta dos medicamentos disponíveis no mercado.
Os dois processos revelam estratégias jurídicas distintas, pois um questiona a comunicação publicitária de uma concorrente, enquanto o outro discute possíveis conflitos relacionados à identidade comercial de uma marca.
