Novo Nordisk acusa EMS de violar marcas Ozempic e Wegovy
Novo Nordisk acusa EMS de criar uma marca com semelhanças suficientes para confundir consumidores no mercado de medicamentos contra diabetes e obesidade.
A Novo Nordisk entrou com uma ação judicial contra a EMS e o Instituto Nacional da Propriedade Industrial para contestar o registro da marca Ozivy, concedido à farmacêutica brasileira recentemente. A companhia dinamarquesa sustenta que o nome do produto se aproxima de Ozempic e Wegovy, o que poderia gerar associação indevida no mercado de medicamentos usados no tratamento de diabetes e obesidade.
Novo Nordisk questiona marca Ozivy na Justiça
A ação da Novo Nordisk foi apresentada na 31ª Vara Federal do Rio de Janeiro e tem como objetivo anular o registro da marca Ozivy, concedido à EMS pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial.
Para a Novo Nordisk, a autorização concedida ao laboratório brasileiro deve ser revista porque o nome escolhido poderia confundir consumidores, médicos e demais agentes do setor farmacêutico.
A argumentação da empresa dinamarquesa se concentra na semelhança entre Ozivy e suas marcas já consolidadas no mercado: Ozempic e Wegovy.
Segundo a companhia, a escolha da EMS não seria apenas uma coincidência comercial, já que o nome começa com “OZ”, mesma combinação presente em Ozempic, e termina com “VY”, sequência associada a Wegovy.
Na avaliação dos advogados da Novo Nordisk, a EMS poderia ter adotado uma identidade totalmente diferente para o produto, sem recorrer a elementos sonoros e visuais próximos aos de medicamentos já reconhecidos.
A empresa sustenta que a marca Ozivy não teria justificativa técnica, terapêutica ou científica evidente, o que reforçaria a tese de tentativa de aproximação com produtos de maior notoriedade.
O caso também envolve o INPI porque o órgão foi responsável por conceder o registro contestado no processo. Dessa forma, a discussão não se limita à disputa entre duas farmacêuticas, mas também alcança a validade do ato administrativo que permitiu à EMS usar a marca no mercado brasileiro.
Setor reage à nova concorrência
A briga judicial ocorre em um setor que deve se tornar cada vez mais competitivo nos próximos anos, especialmente com o fim da patente da semaglutida.
O princípio ativo, usado em medicamentos como Ozempic e Wegovy, tornou-se um dos mais importantes do mercado farmacêutico global por sua aplicação no tratamento do diabetes tipo 2 e no controle de peso.
Com a perda de exclusividade, laboratórios concorrentes passam a mirar versões similares ou alternativas capazes de disputar um mercado em rápida expansão.
Esse movimento aumenta a pressão sobre marcas já consolidadas e torna nomes, posicionamento comercial e estratégias de diferenciação ainda mais relevantes para as fabricantes.
A concorrência também envolve outros medicamentos da mesma categoria terapêutica, como o Mounjaro, da Eli Lilly, que atua em um segmento de forte crescimento e já enfrenta a necessidade de defender espaço diante de novos competidores.
A disputa em torno da Ozivy, portanto, vai além de uma discussão sobre registro de marca e reflete o acirramento de um mercado bilionário.
À medida que patentes expiram e novos produtos chegam às farmácias, a diferenciação entre medicamentos, a proteção de marcas conhecidas e a política de preços devem ganhar peso nas estratégias das principais farmacêuticas.



