Saúde, Segurança e Meio Ambiente

Poluição do transporte rodoviário pode elevar mortes em 47% no Brasil até 2050

A poluição do transporte rodoviário tornou-se um dos principais desafios ambientais das cidades brasileiras, devido à presença de partículas capazes de agravar doenças respiratórias e cardiovasculares.

O Brasil corre o risco de enfrentar um avanço expressivo das mortes prematuras relacionadas à poluição veicular até 2050, caso a transição para tecnologias mais limpas permaneça abaixo do ritmo necessário. A previsão de crescimento de 47% nesse indicador expõe a urgência de políticas que combinem renovação da frota, estímulos à compra de veículos elétricos e investimentos em recarga, especialmente nas regiões urbanas mais afetadas pelas emissões do transporte rodoviário.

Poluição veicular amplia riscos para a saúde pública

As emissões produzidas pelo transporte rodoviário representam uma parcela relevante da poluição atmosférica e exercem efeitos diretos sobre doenças respiratórias, mortalidade precoce e qualidade de vida.

Dados do Conselho Internacional de Transporte Limpo indicam que os poluentes liberados pelos veículos contribuem para milhares de mortes antecipadas e novos diagnósticos de asma infantil em diferentes países.

Em escala global, uma morte prematura associada à poluição veicular ocorre a cada 45 segundos, enquanto um novo caso de asma infantil aparece aproximadamente a cada dois minutos.

Nos Estados Unidos, uma pesquisa da mesma organização estima que as emissões tóxicas dos veículos estejam relacionadas a cinco mortes por hora, o que demonstra a extensão do problema até mesmo em mercados com normas ambientais e infraestrutura mais consolidadas.

O problema está ligado principalmente às partículas finas e a outros compostos nocivos, capazes de penetrar profundamente no sistema respiratório e agravar condições cardiovasculares e pulmonares.

A exposição provocada pelo transporte pode representar quase metade do limite anual recomendado pela Organização Mundial da Saúde, o que reforça a necessidade de políticas mais rigorosas.

Sem uma redução expressiva nas emissões, o avanço da frota tende a ampliar a pressão sobre hospitais, sistemas públicos de saúde e populações urbanas mais vulneráveis.

Brasil pode registrar forte aumento de mortes até 2050

As projeções para o país apontam crescimento de 47% nas mortes prematuras ligadas à poluição rodoviária até 2050, caso a eletrificação avance abaixo do ritmo necessário.

Atualmente, o Brasil ocupa a 17ª posição entre as nações com maior mortalidade associada às emissões do transporte e aparece em décimo lugar nos casos de asma infantil.

A estimativa de aproximadamente 9,2 mil novos diagnósticos anuais entre crianças demonstra que os impactos não se limitam aos adultos ou aos grupos com doenças preexistentes.

Outro fator de preocupação está no crescimento esperado de cerca de 30% na frota nacional até 2050, movimento capaz de elevar emissões e exposição urbana.

A permanência de veículos antigos e mais poluentes nas ruas pode anular parte dos benefícios obtidos com modelos elétricos vendidos nos próximos anos.

Por esse motivo, a substituição da frota precisa alcançar automóveis particulares, ônibus, caminhões e demais categorias responsáveis por grande parcela das emissões do transporte terrestre.

Países de renda média, entre eles o Brasil, podem concentrar uma fatia crescente das perdas sanitárias caso investimentos, metas e mecanismos de controle permaneçam limitados.

Eletrificação exige incentivos e infraestrutura

O estudo apresenta um cenário intermediário no qual as metas já anunciadas levariam veículos elétricos a 57% das vendas de modelos leves e 12% dos pesados até 2050.

Apesar desse avanço, a adoção parcial não seria suficiente para reduzir o número absoluto de mortes prematuras relacionadas às emissões do transporte rodoviário no país.

A alternativa mais eficaz prevê que todos os veículos novos vendidos a partir de 2045 possuam emissão zero, com impacto mais relevante sobre mortalidade e doenças respiratórias.

Para alcançar esse patamar, o Brasil precisará ampliar a infraestrutura de recarga, reduzir o preço dos modelos elétricos e acelerar a retirada de veículos antigos.

O programa Mover concede vantagem de dois pontos percentuais no IPI para veículos de emissão zero, mas o estímulo atual permanece limitado diante do custo de aquisição.

Mais de nove estados também oferecem descontos ou isenção de IPVA, enquanto linhas subsidiadas apoiam municípios interessados na substituição de ônibus convencionais por modelos elétricos.

Mesmo com esses mecanismos, a transformação do mercado dependerá de subsídios mais amplos, benefícios tributários consistentes e investimentos capazes de tornar a recarga acessível em diferentes regiões.

A combinação entre eletrificação, renovação da frota e controle mais severo das emissões pode reduzir mortes, melhorar o ar urbano e diminuir desigualdades de saúde.

Gabriele Noda

Colunista no segmento Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) | Gabriele Noda é Supervisora de Customer Success e possui mais de 8 anos de experiência no mercado industrial, o que a capacita a traduzir dados científicos em análises acessíveis sobre saúde, segurança e meio ambiente.

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