Saúde, Segurança e Meio Ambiente

Amazônia recupera superfície de água em 2025, mas Brasil mantém alerta hídrico

O MapBiomas Brasil indica que, em 2025, a Amazônia apresenta sinais de recuperação hídrica, apesar dos desafios enfrentados no Pantanal e uma tendência geral de redução hídrica em todo o país.

O aumento da superfície de água na Amazônia em 2025 trouxe um sinal positivo para o equilíbrio hídrico do Brasil, mas não elimina os alertas sobre a redução contínua dos recursos aquáticos no país. Segundo o MapBiomas Brasil, a recuperação foi impulsionada pelo retorno das chuvas após um período prolongado de seca, enquanto o Pantanal seguiu abaixo da média histórica e reforçou a desigualdade dos impactos climáticos entre os biomas brasileiros.

Amazônia recupera água, mas avanço não chega a todo o bioma

A Amazônia voltou a registrar expansão da superfície de água em 2025, depois de dois anos marcados por seca severa e forte pressão sobre rios, lagos e áreas alagadas.

O aumento das chuvas ajudou o bioma a superar a média histórica em 2,6%, o que indica uma recomposição importante em uma região essencial para o equilíbrio hídrico do país.

Apesar do resultado positivo, a recuperação não ocorreu de forma homogênea, já que 37% das sub-bacias amazônicas ainda permaneceram abaixo dos níveis históricos observados no monitoramento.

Essa diferença territorial mantém impactos relevantes para comunidades ribeirinhas, que dependem diretamente da navegação, da pesca, do abastecimento local e do deslocamento entre áreas isoladas.

Pará e Amazonas concentraram os maiores ganhos em relação à média histórica calculada entre 1985 e 2025, com acréscimos de 142 mil e 87 mil hectares, respectivamente.

Esses avanços têm peso nacional porque a Amazônia reúne 61,4% da superfície de água do Brasil, tornando qualquer oscilação no bioma decisiva para o cenário hídrico brasileiro.

Mesmo com a melhora observada em 2025, eventos climáticos extremos, mudanças no uso da terra e alterações no regime de chuvas ainda mantêm riscos para a estabilidade hídrica da região.

Pantanal segue distante da média mesmo com alta anual

O Pantanal apresentou recomposição em 2025, mas continuou em situação crítica ao registrar superfície de água 56% inferior à média histórica do bioma.

A área aquática chegou a 679 mil hectares, número 34% maior que o observado em 2024, mas ainda muito distante da média histórica de 1,56 milhão de hectares.

O bioma foi o único do país a permanecer abaixo da média em todos os meses de 2025, o que evidencia uma crise hídrica persistente e mais prolongada.

As perdas atingem diretamente comunidades locais, atividades produtivas, fauna, flora e áreas dependentes do ciclo natural de cheias, especialmente em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

A Região Hidrográfica do Paraguai também mostrou fragilidade, com redução superior à metade de sua superfície aquática na comparação com o padrão histórico monitorado.

A dinâmica das águas pantaneiras mudou de forma expressiva nas últimas décadas, passando de períodos marcados por grandes inundações para uma fase recente de secas mais prolongadas.

Desde 2019, o bioma enfrenta restrições hídricas recorrentes, cenário que pressiona a biodiversidade, reduz áreas alagadas e exige estratégias mais eficazes de conservação e gestão da água.

Brasil perde água natural e amplia reservatórios artificiais

O Brasil registrou leve recuperação entre 2024 e 2025, com alta de 5,3% na superfície de água, que chegou a 18,2 milhões de hectares.

Mesmo assim, o volume permaneceu abaixo da média histórica de 18,5 milhões de hectares, reforçando que a melhora anual não reverte a tendência de longo prazo.

A série histórica mostra queda expressiva desde 1985, quando a média da década inicial monitorada era de 19,86 milhões de hectares de superfície aquática.

Em 2025, a água ocupou apenas 2% do território nacional, indicador que reforça a necessidade de políticas de conservação, adaptação climática e gestão integrada dos recursos hídricos.

Recuperações pontuais em determinados biomas não eliminam o declínio observado na série histórica, especialmente quando a perda de corpos hídricos naturais segue avançando no país.

A composição da superfície hídrica também mudou, com corpos naturais representando 76,7% do total e áreas antrópicas respondendo por 23,3% da água mapeada.

A Amazônia ainda concentra a maior superfície de água natural, com 10 milhões de hectares, equivalentes a 92,7% da água identificada dentro do bioma.

O Pantanal mantém mais de 99% de sua água classificada como natural, embora essa característica não tenha impedido a forte retração registrada nos últimos anos.

Na Mata Atlântica, os corpos hídricos antrópicos somam 1,3 milhão de hectares e representam 61,5% da superfície mapeada, mostrando forte presença de reservatórios e estruturas artificiais.

A Caatinga lidera proporcionalmente em água antrópica, com 78% do total, enquanto o Cerrado tem 55,1% de sua superfície hídrica associada a hidrelétricas.

O Pampa, apesar de ser o segundo menor bioma brasileiro, reúne cerca de 181 mil hectares em reservatórios, mas ainda conserva 88,1% de sua água em formações naturais.

Gabriele Noda

Colunista no segmento Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) | Gabriele Noda é Supervisora de Customer Success e possui mais de 8 anos de experiência no mercado industrial, o que a capacita a traduzir dados científicos em análises acessíveis sobre saúde, segurança e meio ambiente.

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