O uso de GLP-1 cresceu de forma acelerada entre pessoas sem diabetes e passou a alterar a distribuição dos custos no sistema de saúde estadunidense.
O avanço dos medicamentos GLP-1 nos Estados Unidos transformou tratamentos antes associados principalmente ao diabetes em uma das áreas mais disputadas da medicina voltada ao controle do peso. Esse crescimento ampliou o número de usuários, fortaleceu marcas conhecidas e elevou os gastos de pacientes, empregadores, seguradoras e programas públicos, o que passou a colocar em dúvida a sustentabilidade financeira do acesso no longo prazo.
Uso de GLP-1s avança e eleva despesas no sistema de saúde
Uma pesquisa da Northwestern University identificou forte expansão no uso de medicamentos GLP-1 nos Estados Unidos entre 2017 e 2022, acompanhada por crescimento expressivo dos gastos totais.
Entre adultos sem diabetes, a utilização desses tratamentos aumentou 643%, enquanto o avanço entre pacientes diagnosticados com a doença alcançou 230% durante o período analisado.
A semaglutida passou a liderar esse mercado e representou 54% das prescrições entre pessoas com diabetes e 65% entre usuários sem a condição até 2022.
O pagamento médio total por paciente subiu 157% no grupo sem diabetes e 36% entre aqueles que utilizavam os medicamentos para controlar a doença.
A popularização dos GLP-1s amplia as opções terapêuticas disponíveis, mas também levanta dúvidas sobre a capacidade financeira do sistema para sustentar esse crescimento prolongado.
Canetas para diabetes ganham uso contra obesidade
Os medicamentos da classe GLP-1 ganharam espaço inicialmente no tratamento do diabetes tipo 2, sobretudo pela atuação no controle da glicose e do apetite.
Com a ampliação das indicações clínicas, essas terapias passaram a alcançar também pacientes com obesidade ou excesso de peso associado a outros problemas de saúde.
Canetas como Ozempic e Wegovy utilizam semaglutida, enquanto Mounjaro e Zepbound contêm tirzepatida, substância que atua sobre mecanismos ligados à saciedade e ao metabolismo.
Embora algumas marcas tenham indicação específica para diabetes e outras para controle crônico do peso, a popularidade das aplicações cresceu entre pessoas sem diagnóstico da doença.
Essa mudança ajuda a explicar o aumento expressivo do consumo e amplia a discussão sobre preços, cobertura dos seguros e acesso prolongado aos tratamentos.
Custos podem limitar cobertura e acesso aos tratamentos
O aumento das despesas não afeta somente os pacientes que recebem as prescrições, pois os custos alcançam empresas, seguradoras, contribuintes e demais participantes dos planos de saúde.
No setor privado, empregadores podem enfrentar contratos mais caros, enquanto seguradoras procuram compensar os gastos por meio de mensalidades maiores, franquias elevadas ou exigências adicionais.
Essas mudanças podem atingir inclusive pessoas que não utilizam GLP-1s, uma vez que os reajustes costumam ser distribuídos entre todos os beneficiários dos planos.
Nos programas governamentais dos EUA, Medicare e Medicaid também registraram aumento das despesas, o que ampliou a pressão sobre orçamentos financiados com recursos públicos.
Alguns sistemas estaduais do Medicaid passaram a reduzir a cobertura, situação que pode criar novos obstáculos para pacientes sem condições de pagar pelo tratamento.
Restrições como autorização prévia, critérios clínicos mais severos e limites de reembolso podem preservar recursos, mas também dificultam o acesso de grupos vulneráveis.
O estudo aponta a necessidade de avaliar políticas capazes de reduzir preços, ampliar negociações e preservar a disponibilidade dessas terapias ao longo dos próximos anos.
Sem estratégias para equilibrar custos e cobertura, o avanço dos GLP-1s poderá aprofundar desigualdades e tornar tratamentos eficazes inacessíveis para parte da população.
