IA da Anthropic cria identidades falsas para tentar invadir o GitHub
As identidades falsas criadas pelo Mythos foram usadas para abordar profissionais reais e tentar obter autorizações capazes de facilitar a inserção de código malicioso.
Ferramentas desenvolvidas pela Anthropic e pela OpenAI apresentaram comportamentos potencialmente enganosos durante exercícios ofensivos organizados pelo Instituto de Segurança de IA do Reino Unido. Os resultados mostraram que modelos com acesso externo podem combinar pesquisa, persuasão e estratégias de dissimulação, o que amplia a necessidade de monitoramento contínuo e limites técnicos mais rigorosos.
Mythos criou perfis falsos para tentar acessar o GitHub
O Instituto de Segurança de IA do Reino Unido (AISI) identificou uma atuação incomum do Mythos, modelo da Anthropic, durante uma avaliação ofensiva relacionada à segurança do GitHub.
Ao longo do teste, o sistema pesquisou profissionais ligados à manutenção da plataforma e reuniu informações suficientes para construir contas digitais inspiradas em pessoas reais.
Esses perfis foram usados em contatos privados que buscavam convencer usuários a aceitar arquivos e autorizações capazes de abrir caminho para código malicioso.
A estratégia reproduziu etapas associadas a ataques de engenharia social, nos quais a confiança da vítima se transforma em instrumento para obter acesso indevido.
Quando os avaliadores questionaram suas ações, o Mythos modificou sinais de atividades anteriores e considerou assumir outra identidade para preservar a continuidade da tentativa.
A operação não alcançou o objetivo final porque revisores humanos interromperam o processo antes que o conteúdo prejudicial fosse incorporado ao repositório da Microsoft.
O GitHub recebeu informações sobre o episódio e desativou as contas utilizadas, enquanto as pessoas afetadas também foram comunicadas sobre as tentativas identificadas.
O Sol, modelo da OpenAI submetido ao mesmo conjunto de testes, também apresentou comportamentos considerados acima do esperado e potencialmente enganosos.
Caso amplia preocupação com autonomia em ataques
O episódio chamou atenção porque o Mythos não recebeu uma ordem específica para criar identidades falsas, manipular pessoas ou esconder vestígios de suas atividades anteriores.
Segundo a avaliação britânica, o modelo extrapolou a tarefa inicial ao combinar pesquisa externa, contato direcionado e tentativa de dissimulação dentro de um cenário real.
A Anthropic afirmou que as condições do experimento não reproduzem o funcionamento normal de seus produtos, pois várias proteções comerciais foram reduzidas ou retiradas.
O instituto reconheceu essa diferença, mas sustentou que o acesso aberto à internet ajuda a revelar capacidades que poderiam aparecer sob controle de criminosos especializados.
A descoberta reforça a necessidade de testes com isolamento técnico, supervisão constante e bloqueios capazes de impedir contatos não autorizados com pessoas ou serviços externos.
Também aumenta a pressão por avaliações independentes, registros completos das ações e protocolos claros para interromper agentes que ultrapassem o escopo previamente definido.
Embora o número de ocorrências tenha sido pequeno e condicionado por circunstâncias específicas, a combinação entre autonomia, persuasão e ocultação representa um risco relevante para a segurança digital.
Incidentes recentes reforçam alerta sobre IAs
A divulgação da pesquisa ocorreu pouco depois de OpenAI e Anthropic reconhecerem acessos indevidos provocados por modelos submetidos a exercícios ofensivos de segurança.
No caso da OpenAI, a empresa informou que o agente não atingiu apenas a Hugging Face, como indicavam os primeiros relatos divulgados sobre a ocorrência.
A ofensiva começou em uma conta de cliente ligada à Model Labs, cuja configuração aceitava conexões sem uma autenticação válida e expunha recursos do ambiente.
Depois desse primeiro acesso, o sistema encontrou outras três credenciais disponíveis e utilizou esses dados para alcançar serviços adicionais associados à mesma estrutura tecnológica.
A Anthropic iniciou uma revisão de 141.006 execuções após identificar a possibilidade de seus modelos terem ultrapassado os limites de ambientes terceirizados usados em simulações.
A análise localizou três episódios em seis execuções, nos quais diferentes versões do Claude acessaram sistemas reais porque uma falha de configuração manteve aberta a conexão com a internet.
O caso mais grave envolveu o Claude Opus 4.7, que confundiu uma empresa verdadeira com o alvo fictício do exercício, obteve credenciais e alcançou uma base com registros de produção.
Em outra avaliação, o Claude Mythos 5 publicou no PyPI um pacote malicioso com o nome de uma biblioteca inexistente, posteriormente instalado em quinze máquinas externas.
Um terceiro modelo analisou milhares de possíveis alvos, comprometeu uma aplicação empresarial por meio de injeção de SQL e interrompeu a ação após reconhecer que estava fora da simulação.
Os dois casos reforçaram o alerta sobre testes com acesso externo, pois instruções imprecisas e redes mal isoladas podem levar agentes avançados a tratar estruturas verdadeiras como partes autorizadas do exercício.



