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pastilha de ferrite

A pastilha de ferrite é um ímã permanente cerâmico obtido por sinterização de óxido de ferro combinado com carbonato de bário (BaFe12O19) ou de estrôncio (SrFe12O19), prensado em campo magnético e fornecido nos formatos de disco, retângulo, anel ou segmento. Trata-se de um material magnético duro, classificado internacionalmente pela IEC 60404-8-1, cujas propriedades — remanência (Br), coercividade (HcB e HcJ) e produto energético máximo (BHmáx) — são levantadas pelo ensaio de curva de histerese descrito na IEC 60404-5. É o ímã de menor custo por unidade de campo disponível no mercado, o que sustenta sua presença em alto-falantes, motores de corrente contínua, sensores, fixadores e sistemas de separação magnética.

A especificação de uma pastilha de ferrite se resolve por cinco variáveis: o grau do material, identificado por códigos do tipo Y30, Y30BH, Y33 ou Y35, que define diretamente Br e coercividade; a geometria e a espessura, que governam a relação comprimento-diâmetro e, portanto, a estabilidade do campo; a direção de magnetização, quase sempre pela espessura em peças anisotrópicas prensadas em campo; a temperatura de trabalho, limitada na prática bem abaixo do ponto de Curie da ferrite, próximo de 450 °C; e o entreferro real da aplicação, isto é, a distância efetiva entre a face do ímã e a peça de aço, incluindo tinta, verniz, etiqueta ou capa plástica. Ignorar o entreferro é o erro que mais gera troca de fornecedor depois da primeira amostra.

O ferrite não contém terras-raras nem níquel, dispensa revestimento anticorrosivo e atende naturalmente às restrições de RoHS e REACH exigidas em cadeias de eletroeletrônico, o que simplifica a documentação de compra frente ao neodímio. Em contrapartida, é um material cerâmico frágil, sensível a impacto e a esforço de tração no furo de fixação, e apresenta comportamento térmico invertido: perde remanência com o aquecimento e perde coercividade com o resfriamento, podendo sofrer desmagnetização parcial irreversível em operação abaixo de cerca de -20 °C. Quando a pastilha compõe sistema de retenção de contaminante ferroso em alimentos, fixação de carga ou máquina abrangida pela NR-12, a validação da força útil no ponto de instalação e a definição da periodicidade de verificação devem ser conduzidas por profissional habilitado, e o fornecedor deve operar sob sistema de gestão conforme a ABNT NBR ISO 9001.

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pastilha de ferrite

Aviso de segurança. Pastilhas de ferrite aplicadas em separação magnética de linha alimentícia, em fixação de carga ou em conjuntos rotativos devem ter sua força útil verificada no próprio ponto de instalação, com entreferro e espessura de chapa reais. Ensaios de propriedades magnéticas seguem a IEC 60404-5 e a classificação de materiais magnéticos duros, a IEC 60404-8-1. Quando a peça compõe sistema de içamento, retenção de contaminante ferroso em alimentos ou máquina sujeita à NR-12, o dimensionamento e a validação devem ser feitos por profissional habilitado, com registro no CREA.

Formatos, graus e o que o código Y significa na cotação

A pastilha de ferrite chega ao mercado em disco com ou sem furo, bloco retangular, anel e segmento curvo para rotor. O que diferencia duas peças de mesma medida é o grau do material, indicado por um código iniciado em Y seguido de um número que acompanha o produto energético. Graus isotrópicos, como o Y8T, são magnetizáveis em qualquer direção e entregam campo baixo; os anisotrópicos, prensados sob campo, concentram o desempenho em uma única direção e cobrem a faixa comercial usual, do Y30 ao Y35. Peças com sufixo BH ou H privilegiam coercividade e resistem melhor a campo desmagnetizante reverso, o que interessa a motores e separadores. Um bloco de ferrite de maior massa segue exatamente a mesma lógica de grau, mudando apenas a geometria e o volume de material.

GrauAnisotropiaRemanência típica (mT)Perfil de coercividadeAplicação recomendada
Y8TIsotrópico200 a 230BaixaPeças magnetizadas em múltiplas direções, campo pouco exigente
Y25Anisotrópico340 a 370MédiaFixação geral, brindes técnicos, sensores
Y30Anisotrópico370 a 400MédiaGrau de maior giro no mercado, uso geral industrial
Y30BHAnisotrópico370 a 400AltaMotores CC e separadores sujeitos a campo reverso
Y33Anisotrópico400 a 420Média a altaAlto-falantes e conjuntos com restrição de espaço
Y35Anisotrópico400 a 440MédiaMáximo desempenho em ferrite, quando não cabe aumentar volume
  • Disco simples: fixação leve, brindes técnicos, sensores e chaves de posição.
  • Disco com furo escareado: parafusamento direto em chapa, sem cola nem porta-ímã.
  • Anel: alto-falantes e motores CC, com magnetização axial ou radial multipolar.
  • Segmento ou arco: estator de motor de corrente contínua e servomecanismos.
  • Bloco retangular: separadores, grades magnéticas e fixadores de bancada.

Como dimensionar diâmetro, espessura e entreferro sem errar a força

Força de atração declarada em catálogo só tem sentido acompanhada da condição de ensaio: contato direto, face plana, chapa de aço carbono de espessura suficiente para não saturar — na prática, algo em torno de 8 a 10 mm — e superfície limpa. Em campo, três fatores derrubam esse número. O primeiro é o entreferro: uma camada de tinta, verniz ou etiqueta de 1 mm já é suficiente para reduzir sensivelmente a atração de uma pastilha fina, e a queda é tanto mais brusca quanto menor a espessura do ímã. O segundo é a espessura da chapa alvo: chapa de 0,8 mm satura e entrega uma fração do valor de catálogo. O terceiro é o esforço aplicado — a força lateral, de cisalhamento, costuma ficar em torno de um quinto da força normal de arrancamento, então fixação sujeita a deslizamento precisa de folga de projeto ou de batente mecânico. A regra prática de especificação é dimensionar para pelo menos o dobro da carga estática prevista quando houver vibração, e sempre validar com amostra na superfície real da aplicação.

  • Aumentar diâmetro amplia a área de contato e a força total; aumentar espessura sustenta o campo contra o entreferro.
  • Pastilha muito fina em relação ao diâmetro perde campo com facilidade e é mais sensível a distância.
  • Chapa pintada, inox austenítico e zinco eletrolítico mudam a atração de forma relevante — inox 304 é praticamente não magnético.
  • Empilhar duas pastilhas na mesma direção não dobra a força; o ganho é decrescente.
  • Peça anisotrópica só magnetiza na direção prensada: não se define polaridade depois.

Ferrite ou neodímio: quando cada um compensa

A escolha é essencialmente uma troca entre volume ocupado e custo. Um ímã de neodímio entrega ordem de grandeza superior em produto energético, o que permite peças muito menores para o mesmo campo, mas custa várias vezes mais por unidade de massa, oxida sem revestimento de níquel-cobre-níquel e perde desempenho acima de faixas de 80 a 200 °C, conforme o grau. O ferrite ocupa mais espaço, entrega menos campo, porém não corrói, tolera umidade e ambiente agressivo sem camada protetora e tem preço estável, pois não depende da cadeia de terras-raras. A conta prática: se há espaço disponível e o custo unitário manda, o ferrite ganha; se o envelope dimensional é apertado, o volume de neodímio se paga. Para temperatura elevada com restrição de espaço, nem um nem outro resolvem e a rota costuma ser o ímã de samário cobalto ou o alnico, ambos com custo bem superior. Em ambientes com risco de choque mecânico, o ferrite ainda tem a desvantagem da fragilidade cerâmica, mitigada com montagem em copo de aço ou encapsulamento em borracha.

CritérioFerrite (cerâmico)Neodímio (NdFeB)Decisão prática
Campo por volumeBaixoMuito altoEspaço apertado favorece neodímio
Custo relativo por peça equivalenteReferência mais baixa do mercadoMúltiplas vezes maiorVolume alto e orçamento apertado favorecem ferrite
CorrosãoNão exige revestimentoExige camada Ni-Cu-Ni ou epóxiAmbiente úmido ou lavagem favorece ferrite
Temperatura de trabalhoBoa estabilidade de coercividade no calorLimitada conforme o grauCalor moderado favorece ferrite
Frio intensoRisco de desmagnetização abaixo de -20 °CComporta-se melhorCâmara fria pede análise específica
FragilidadeCerâmico, quebra por impactoTambém frágil, mas menos abrasivoImpacto pede copo de aço nos dois casos

Modos de falha e erros comuns de especificação

As reclamações recorrentes em pastilha de ferrite quase nunca são defeito de material, e sim aplicação fora da condição de projeto. A trinca no furo de fixação aparece quando o parafuso é apertado direto contra o cerâmico, sem arruela elástica ou bucha, ou quando o rebaixo do escareado é raso demais. A perda de força reportada como falha costuma ser entreferro não previsto: capa plástica, tinta epóxi de piso ou película de proteção somando fração de milímetro. A desmagnetização a frio ocorre em câmara fria e transporte refrigerado, porque a coercividade do ferrite cai com a temperatura baixa e a peça pode perder campo de forma irreversível — nesse cenário, especificar grau com sufixo de alta coercividade ou migrar de material é mais barato do que trocar o lote depois. Em montagem, colar pastilha anisotrópica com a face errada inverte a polaridade do conjunto e, em motor ou alto-falante, isso inviabiliza a peça. Por fim, o descascamento superficial e a poeira preta de ferrite no manuseio são característicos do material sinterizado, não indício de lote ruim, mas exigem cuidado quando o ímã fica em contato com produto acabado.

  • Aperto direto de parafuso no cerâmico: trinca radial a partir do furo.
  • Entreferro esquecido no projeto: força útil bem abaixo do catálogo.
  • Operação abaixo de -20 °C sem grau adequado: perda irreversível de campo.
  • Face magnetizada invertida em peça anisotrópica: conjunto inutilizado.
  • Impacto durante transporte de pastilhas soltas: lascas e quebra por atração mútua entre peças.

Aplicações industriais que puxam a demanda

O maior volume mundial de ferrite ainda vai para alto-falantes e motores de corrente contínua de baixo custo, onde o custo por unidade de campo é decisivo e há espaço para acomodar o ímã. Na indústria de processo, a pastilha é o elemento ativo de placas, grades e conjuntos usados em separação magnética de partículas ferrosas em linhas de moagem, extrusão e reciclagem, geralmente montada em bloco de aço para concentrar o fluxo. Aparece também em fixação leve de bancada, gabaritos, porta-ferramentas, sinalização removível e chaves de posição com sensor reed. Nas soluções de captura de contaminantes em fluxo de granulados, o ferrite compete com o neodímio principalmente quando a temperatura de processo é elevada e a exigência de campo é moderada; onde a captura de partícula fina é crítica, o projeto costuma migrar para grades e tubos de neodímio. Em oficinas e linhas de montagem, a pastilha aparece embutida em produtos de limpeza de piso e recolhimento de cavaco, ao lado de opções como a vassoura magnética usada para varredura de resíduo ferroso em chão de fábrica.

O que define o preço e o que enviar na hora de cotar

Preço de pastilha de ferrite não se resolve por peça isolada: ele se forma pela combinação de grau, geometria, tolerância, quantidade e existência ou não de ferramental. Peças de catálogo, em graus correntes e dimensões usuais, saem de estoque com preço regressivo por faixa de quantidade. Geometria fora de padrão exige molde de prensa, cujo custo é amortizado no primeiro lote e inviabiliza pedidos pequenos. Tolerância apertada implica retífica após sinterização, operação abrasiva que encarece de forma relevante, já que o material sinterizado sai da prensa com desvio dimensional grosseiro. Furo escareado, chanfro, montagem em copo de aço, encapsulamento em borracha e magnetização multipolar são operações adicionais, cada uma com seu custo. Exigência de laudo de propriedades magnéticas conforme IEC 60404-5, certificado de conformidade RoHS ou rastreabilidade de lote acrescenta etapa documental e prazo. Para receber propostas comparáveis, o pedido de cotação precisa fechar essas variáveis antes de sair.

  • Dimensões nominais e tolerância aceitável, com desenho ou croqui quando houver furo.
  • Grau desejado ou, na falta dele, a força necessária com entreferro e espessura da chapa alvo declarados.
  • Direção de magnetização e polaridade da face de trabalho.
  • Quantidade do primeiro lote e previsão anual, para acessar faixa de preço e discutir ferramental.
  • Temperatura mínima e máxima de operação e presença de umidade, produto químico ou contato com alimento.
  • Acabamento ou montagem exigida: pastilha nua, copo de aço, encapsulada ou com adesivo.
  • Documentos exigidos: laudo magnético, declaração RoHS, rastreabilidade e certificação do sistema de gestão do fornecedor.

O que só a Soluções Industriais entrega neste nicho

  • Cotações concentradas em pastilhas de disco de 20 a 50 mm de diâmetro e 3 a 10 mm de espessura, faixa que a maioria dos fornecedores mantém em estoque nacional.
  • Pedidos abaixo de algumas centenas de peças em geometria fora de catálogo esbarram em ferramental de prensa, e o comprador só descobre isso depois de três cotações.
  • Compradores que informam apenas força em kgf, sem entreferro e espessura de chapa, recebem propostas incomparáveis entre si.
  • Migração de neodímio para ferrite reaparece sempre que o preço das terras-raras sobe, principalmente em separadores e fixadores de baixo custo.
  • Linha de alimentos e reciclagem pede laudo de perda de carga magnética por período, não só o certificado de fabricação inicial.
  • Reposição de pastilha em alto-falante e motor CC exige conferir a polaridade e a face magnetizada, porque a peça anisotrópica não aceita reorientação.
  • Demanda recorrente por pastilha já montada em copo de aço ou com furo escareado, o que muda o fornecedor de fabricante de ímã para conjunto usinado.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre pastilha de ferrite de bário e de estrôncio?

Ambas são hexaferritas sinterizadas, mas a de estrôncio (SrFe12O19) entrega remanência e coercividade superiores à de bário (BaFe12O19) e domina a produção atual em graus anisotrópicos. A de bário permanece em aplicações de menor exigência e em peças isotrópicas. Na cotação, o que importa é o grau declarado, do tipo Y30 ou Y35, e não apenas a composição.

Pastilha de ferrite perde força com o tempo?

A perda espontânea do ferrite sinterizado é muito pequena em condições normais, da ordem de fração de por cento ao ano. As perdas relevantes vêm de eventos: aquecimento acima da temperatura de trabalho, exposição a campo desmagnetizante reverso, choque mecânico e operação em frio intenso. Por isso, em separação magnética de linha alimentícia, a boa prática é verificar periodicamente a força útil no ponto de instalação, conforme metodologia baseada na IEC 60404-5.

É possível furar, cortar ou usinar uma pastilha de ferrite?

Não com ferramenta convencional. O ferrite é cerâmico, duro e frágil, e só admite corte e retífica com rebolo diamantado sob refrigeração. Qualquer furo, chanfro ou rebaixo deve ser definido antes da prensagem ou executado por retífica no fornecedor; tentar furar na oficina trinca a peça.

Qual a temperatura máxima de trabalho de uma pastilha de ferrite?

A maioria dos graus comerciais opera com segurança em faixas próximas de 200 a 250 °C, bem abaixo do ponto de Curie do material, situado por volta de 450 °C, onde a magnetização se perde por completo. Acima da faixa de trabalho a remanência cai de forma progressiva e parte da perda pode ser irreversível. O limite exato deve ser confirmado no datasheet do grau cotado.

Por que a força medida na minha aplicação é menor que a do catálogo?

Porque o valor de catálogo é medido em contato direto com chapa de aço carbono espessa e superfície limpa. Na aplicação real, tinta, etiqueta, capa plástica ou folga mecânica criam entreferro, e chapa fina satura e não aproveita todo o fluxo. Peça sempre a condição de ensaio junto do valor em kgf e valide com amostra na superfície de trabalho.

Existe quantidade mínima para comprar pastilha de ferrite?

Para dimensões e graus de catálogo, os fornecedores costumam atender pedidos pequenos a partir de estoque nacional. Para geometria fora de padrão, o processo exige molde de prensa dedicado, o que estabelece um lote mínimo capaz de amortizar o ferramental e alonga o prazo. Informar a previsão anual na cotação ajuda a negociar essa condição.

Pastilha de ferrite pode ter contato com alimento?

A pastilha cerâmica nua libera pó no manuseio e não é adequada ao contato direto. Em linha alimentícia, o padrão é a peça encapsulada em invólucro de aço inoxidável estanque, com acabamento sanitário e rastreabilidade de lote, atendendo aos requisitos do processo e às boas práticas de fabricação fiscalizadas pela Anvisa. Especifique explicitamente o encapsulamento e o material do invólucro no pedido.

Como identificar o polo norte e o polo sul de uma pastilha?

Em peças anisotrópicas, os polos ficam nas duas faces maiores, definidas na prensagem. A identificação prática é feita com bússola, com visualizador de campo magnético ou por atração e repulsão contra um ímã de polaridade conhecida. Em pedidos de motor ou alto-falante, a face magnetizada e a polaridade devem ser especificadas por desenho, porque a peça pronta não aceita reorientação.

Qual documentação exigir de um fornecedor de pastilha de ferrite?

O mínimo em compra industrial é o datasheet do grau com Br, HcB, HcJ e BHmáx, o certificado de conformidade do lote e a evidência de sistema de gestão da qualidade conforme a ABNT NBR ISO 9001. Para cadeias de eletroeletrônico e exportação, acrescente declaração de conformidade RoHS e REACH. Quando o ensaio for exigido, referencie a IEC 60404-5 e a classificação da IEC 60404-8-1 no pedido.

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Página revisada pela equipe técnica de Equipamentos Magnéticos da Soluções Industriais. Última revisão: 22 de agosto de 2026. Conteúdo elaborado com base nas normas técnicas brasileiras vigentes e em referências de fabricantes homologados no marketplace.

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Fontes técnicas citadas: IEC 60404-8-1, IEC 60404-5, ABNT NBR ISO 9001, NR-12, RoHS, REACH, Anvisa.