Saúde, Segurança e Meio Ambiente

Redução do desmatamento em todos os biomas brasileiros em 2024

Em 2024, o desmatamento apresentou uma queda em todos os biomas brasileiros, com exceção à Mata Atlântica que se manteve estável. As Terras Indígenas e Unidades de Conservação também mostraram reduções significativas, evidenciando a relevância dessas áreas para a proteção ambiental.

Pela primeira vez em seis anos, o desmatamento diminuiu em todos os biomas brasileiros, segundo o MapBiomas Alerta. A Mata Atlântica se manteve estável após uma queda significativa de 60% no ano anterior. O Cerrado se tornou o bioma mais afetado, ultrapassando a Amazônia.

Queda no desmatamento em 2024

Em 2024, o Brasil conseguiu reduzir significativamente a destruição de áreas com vegetação nativa, alcançando o menor índice de desmatamento desde 2019, quando começou o acompanhamento sistemático feito pelo MapBiomas Alerta.

Ao longo do ano, foram desmatados cerca de 1,24 milhão de hectares, com 60.983 alertas confirmados. Esses números representam uma queda de 32,4% na área total desmatada e de 26,9% no número de alertas em comparação com 2023.

Apesar desse resultado positivo, a média diária ainda preocupa: foram cerca de 3.403 hectares perdidos por dia, ou 141,8 hectares por hora. O pior dia do ano nesse sentido foi 21 de junho, quando mais de 3,5 mil hectares desapareceram em apenas 24 horas.

O levantamento também mostrou que áreas muito grandes estão sendo menos atingidas. Os desmatamentos com mais de 100 hectares tiveram uma redução de 31%, o que mostra um recuo também na escala das áreas afetadas.

Essa tendência de queda começou no ano anterior, quando houve uma redução de mais de 11% em relação a 2022. Segundo especialistas, o avanço se deve a melhorias nas políticas de proteção ambiental, fiscalização mais ativa e uso de tecnologia para identificar desmatamentos com mais rapidez.

Mesmo assim, o problema ainda está longe de ser resolvido. As regiões do Cerrado e da Amazônia continuam entre as que mais sofrem com a perda de vegetação, e os desafios para proteger esses biomas continuam grandes.

Cerrado lidera desmatamento

Mesmo com sinais de redução em todo o país, o Cerrado seguiu como o bioma mais afetado pelo desmatamento em 2024.

Ao longo do ano, foram perdidos 652 mil hectares de vegetação nativa, o que equivale a mais da metade de tudo que foi desmatado no Brasil, cerca de 52,5%.

Grande parte desse desmatamento se concentrou na região do Matopiba, formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Juntos, esses estados responderam por 75% da devastação no Cerrado e por 42% da perda de vegetação nativa em todo o país.

Entre os estados, o Maranhão foi o que mais perdeu área verde: foram mais de 218 mil hectares, mesmo com uma queda de 34,3% em comparação a 2023.

A principal causa da devastação na região segue sendo o avanço de atividades como a agricultura e a pecuária, que continuam ocupando novas áreas do bioma.

Por conta disso, cresce a preocupação de ambientalistas e especialistas com o futuro do Cerrado, muitas vezes chamado de “caixa d’água do Brasil” por ser fonte de importantes rios e aquíferos.

Diante desse cenário, especialistas defendem medidas mais firmes de proteção e fiscalização. O Cerrado abriga uma biodiversidade única e tem papel fundamental na regulação do clima e no abastecimento de água, tanto para o Brasil quanto para países vizinhos.

Desmatamento em Terras Indígenas e UCs

O Brasil registrou avanços importantes na proteção ambiental em 2024, especialmente nas Terras Indígenas (TIs) e Unidades de Conservação (UCs), que tiveram queda nas áreas desmatadas em relação ao ano anterior.

Mesmo assim, os dados mostram que a ameaça ao meio ambiente ainda é real, com pontos críticos que exigem atenção urgente.

Apenas um terço das Terras Indígenas brasileiras teve registro de desmatamento no ano passado. No total, foram destruídos 15.938 hectares de vegetação nativa, uma redução de 24% na comparação com 2023.

Apesar da melhora geral, a situação na Terra Indígena Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, no Maranhão, se agravou. Lá, a devastação chegou a 6.208 hectares, o dobro do registrado no ano anterior, com um aumento de 125%.

Nas Unidades de Conservação, o cenário também foi de queda. O total de vegetação perdida foi de 57.930 hectares, o que representa uma redução de 42,5% em comparação ao ano anterior.

O recuo foi ainda maior nas áreas de Proteção Integral, que registraram uma queda de 57,9%, com 4.577 hectares desmatados em 2024.

Mesmo com a retração, algumas áreas continuam sofrendo forte pressão. A APA Triunfo do Xingu, localizada no Pará, foi a UC mais afetada no país, com 6.413 hectares de cobertura vegetal perdidos. Ainda assim, o número representa uma melhora, com queda de 31,7% em relação a 2023.

Especialistas ressaltam que Terras Indígenas e Unidades de Conservação são peças-chave para frear o desmatamento no Brasil.

Além de ajudarem a manter a biodiversidade, essas áreas são essenciais para garantir os modos de vida de populações indígenas e comunidades tradicionais.

Por isso, reforçar a fiscalização e o apoio às populações que vivem nesses territórios continua sendo uma prioridade.

Gabriele Noda

Colunista no segmento Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) | Gabriele Noda é Supervisora de Customer Success e possui mais de 8 anos de experiência no mercado industrial, o que a capacita a traduzir dados científicos em análises acessíveis sobre saúde, segurança e meio ambiente.

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