Saúde, Segurança e Meio Ambiente

Imazon aponta desmatamento zero em 60% das terras indígenas

As terras indígenas responderam por menos de 2% do desmatamento registrado na Amazônia, apesar da extensa presença desses territórios na região.

Dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) apontam que a maior parte das terras indígenas permaneceu sem novos registros de desmatamento ao longo do último calendário de monitoramento. O resultado ocorre em um cenário de queda mais ampla da pressão sobre a floresta, com redução de 23% na área desmatada em comparação com o período anterior.

Terras indígenas se destacam na preservação da Amazônia

A maior parte dos territórios indígenas da Amazônia atravessou o período entre agosto de 2025 e julho de 2026 sem apresentar novas áreas identificadas pelo sistema de monitoramento do Imazon como desmatadas.

De acordo com o levantamento, seis em cada dez terras indígenas registraram desmatamento zero, resultado que evidencia uma diferença relevante entre esses territórios e o cenário observado no conjunto do bioma.

Mesmo nas áreas indígenas onde houve alguma supressão vegetal, os registros permaneceram geralmente restritos a pequenas extensões, sem representar participação expressiva no resultado regional.

Dos 2.702 km² desmatados em toda a Amazônia, menos de 2% estavam dentro de terras indígenas, proporção que reforça o papel desses territórios como barreiras contra o avanço da retirada de vegetação.

O resultado também possui implicações que ultrapassam a conservação das árvores, porque a manutenção dessas áreas contribui para proteger espécies, recursos naturais e processos ambientais essenciais ao equilíbrio climático.

Os dados indicam que políticas de proteção territorial e conservação associadas às populações originárias permanecem relevantes para qualquer estratégia voltada à redução da perda florestal amazônica.

Desmatamento amazônico chega ao menor patamar em 11 anos

O desempenho das terras indígenas ocorreu em um período de melhora mais ampla dos indicadores ambientais, já que a Amazônia apresentou seu menor nível de desmatamento dos últimos 11 anos.

O total de 2.702 km² representa uma redução de 23% em relação ao calendário anterior, quando o monitoramento havia identificado 3.503 km² de vegetação eliminada.

Pará, Mato Grosso e Amazonas ainda aparecem entre os estados com maiores perdas absolutas, mas os três apresentaram redução na comparação com o período precedente.

Outro sinal positivo apareceu nas áreas atingidas por degradação, categoria que inclui danos causados pelo fogo e pela retirada seletiva de madeira sem a eliminação integral da vegetação.

Nesse indicador, a extensão afetada caiu 93% em relação ao calendário anterior, uma diferença expressiva que acompanha a melhora observada também nos registros de desmatamento.

Apesar dos resultados favoráveis, a existência de milhares de quilômetros quadrados afetados mostra que a pressão ambiental permanece presente, enquanto a experiência das terras indígenas reforça sua importância para a conservação amazônica.

Gabriele Noda

Colunista no segmento Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) | Gabriele Noda é Supervisora de Customer Success e possui mais de 8 anos de experiência no mercado industrial, o que a capacita a traduzir dados científicos em análises acessíveis sobre saúde, segurança e meio ambiente.

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