EUA passam a controlar 65 bilhões de barris de petróleo da Venezuela
A disputa pelo acesso aos barris de petróleo da Venezuela ocorre em um momento de forte pressão sobre preços, oferta global e segurança energética no mercado internacional.
Estados Unidos e Venezuela avançaram para um acordo energético de grande escala que envolve 65 bilhões de barris de petróleo distribuídos em 17 campos considerados estratégicos. A parceria combina interesse estadunidense por maior controle sobre fontes de energia com a tentativa de Caracas de recuperar uma indústria que perdeu capacidade ao longo dos últimos anos, apesar de o país manter as maiores reservas comprovadas do mundo.
Acordo coloca 65 bilhões de barris no centro da parceria
Estados Unidos e Venezuela acertaram uma parceria para desenvolver 17 campos petrolíferos estratégicos que concentram potencial comprovado de 65 bilhões de barris, parcela expressiva das reservas venezuelanas.
Segundo a CBS News, a estrutura anunciada prevê uma empresa conjunta com 55% de controle do governo estadunidense, enquanto a operação deverá contar com uma companhia privada experiente no mercado petrolífero venezuelano.
O projeto também recebeu uma concessão de 100 anos para atuação nos campos selecionados, embora o compromisso energético firmado entre os dois países tenha duração prevista de 25 anos.
Para a Venezuela, o planejamento estabelece como objetivo elevar a extração nacional para 1,5 milhão de barris diários, patamar que exigirá recuperação de instalações e ampliação da capacidade operacional.
As projeções apresentadas pelas autoridades de Caracas apontam para mais de US$ 100 bilhões em investimentos privados, além de uma expectativa superior a US$ 209 bilhões em receitas tributárias para o país.
Para os Estados Unidos, o acesso aos 65 bilhões de barris integra uma estratégia para ampliar a disponibilidade energética em meio às pressões sobre os combustíveis provocadas pelas restrições ao petróleo transportado pelo Estreito de Ormuz.
Reservas exigem investimentos antes de ampliar oferta
Apesar do volume expressivo incluído no acordo, os 65 bilhões de barris não representam petróleo imediatamente disponível, pois a recuperação da produção depende de infraestrutura, capital e capacidade de exportação.
Parte relevante das reservas venezuelanas possui petróleo pesado e com maior concentração de enxofre, característica que exige processos específicos de refino e diferencia essa produção do petróleo leve predominante nos Estados Unidos.
A infraestrutura elétrica fragilizada, as limitações logísticas e as incertezas políticas também aparecem entre os obstáculos capazes de ampliar o prazo necessário para transformar os campos selecionados em produção adicional.
Nesse cenário, os aportes previstos terão papel decisivo na modernização de instalações que perderam capacidade após anos de dificuldades econômicas, restrições externas e redução dos investimentos no setor petrolífero.
Outra fonte de incerteza está na ausência do texto oficial do acordo, que ainda impede uma avaliação completa sobre as bases jurídicas da concessão e as responsabilidades atribuídas aos participantes.
Assim, o alcance econômico dos 65 bilhões de barris dependerá menos do tamanho nominal das reservas e mais da capacidade de converter os projetos anunciados em investimentos efetivos, infraestrutura recuperada e produção comercial em maior escala.



