Indústria e Tendências

Preços da indústria caem 0,83% em julho

O resultado de julho mostra um comportamento desigual entre as cadeias produtivas, com forte avanço dos eletrônicos em contraste com pressões de baixa em segmentos industriais relevantes.

Os preços da indústria brasileira recuaram 0,83% em julho de 2026 frente a junho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mantendo a trajetória negativa observada no mês anterior. O resultado refletiu quedas em 11 das 24 atividades pesquisadas e foi influenciado principalmente por setores ligados ao refino de petróleo, produtos químicos e indústrias extrativas.

Preços da indústria caem 0,83% em julho

Os preços na porta das fábricas recuaram 0,83% em julho de 2026, segundo o Índice de Preços ao Produtor, resultado que manteve a trajetória negativa observada no mês anterior.

O movimento atingiu 11 das 24 atividades pesquisadas pelo IBGE e mostrou uma disseminação maior das quedas em comparação com junho, quando apenas seis segmentos haviam registrado retração.

Mesmo com dois meses consecutivos de baixa, o indicador ainda acumula avanço de 3,09% entre janeiro e julho, enquanto a variação em 12 meses ficou em 1,94%.

A leitura de julho mostra que a redução não ocorreu de maneira uniforme, porque algumas cadeias industriais tiveram forte queda, enquanto eletrônicos avançaram de forma excepcional.

Entre as grandes categorias econômicas, os bens intermediários concentraram a maior pressão negativa, com recuo de 1,83% e peso relevante na composição geral do índice.

Refino e petroquímica puxam resultado para baixo

O setor de refino de petróleo e biocombustíveis teve papel decisivo na retração mensal ao registrar queda de 5,65%, a mais intensa entre os principais segmentos de maior peso.

Produtos químicos também ficaram entre os destaques negativos, com redução de 4,49%, resultado associado principalmente ao comportamento recente da cadeia petroquímica.

Resinas e elastômeros apresentaram forte correção de preços, favorecida por demanda externa mais fraca e custos de insumos menos pressionados durante o período.

As indústrias extrativas completaram esse grupo com retração de 4,38%, mantendo pelo terceiro mês consecutivo uma trajetória de queda nos preços praticados.

No setor de alimentos, por outro lado, houve leve avanço de 0,12%, embora alguns itens, como carnes bovinas frescas ou refrigeradas, tenham apresentado redução.

O resultado mostra que parte importante da queda industrial veio de cadeias ligadas a energia, insumos básicos e produtos intermediários, e não de uma retração generalizada em todos os segmentos.

Eletrônicos avançam em movimento fora da curva

Na direção contrária ao índice geral, equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos registraram alta de 11,37% em julho, maior variação mensal da série histórica do setor.

O aumento refletiu principalmente o encarecimento internacional de memórias DRAM, NAND e outros componentes usados na fabricação de computadores, celulares e equipamentos eletrônicos.

A renovação de contratos de fornecimento de semicondutores também coincidiu com esse movimento e contribuiu para elevar os custos repassados pelos fabricantes.

Com isso, o setor passou a acumular alta de 17,56% em 2026 e chegou a 21,10% na comparação com julho do ano anterior.

A pressão dos eletrônicos foi suficiente para limitar parte da queda do índice geral, mesmo sem compensar as reduções observadas em refino, químicos e atividades extrativas.

O contraste entre esses movimentos evidencia um cenário industrial bastante desigual, no qual custos internacionais, câmbio, demanda e condições específicas de cada cadeia passaram a determinar comportamentos muito diferentes entre os setores.

Jéssica Rocha

Colunista no segmento Indústria e Tendências | Diretora de Operações com atuação direta em áreas Operacionais, Comerciais, de Marketing, Tecnologia, entre outras, sempre atenta às tendências globais que impactam a indústria, o mercado empresarial e a economia mundial.

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