Economia e Negócios

EUA e China fazem concessões sobre US$ 60 bilhões em produtos não sensíveis

Acordo alcança US$ 60 bilhões em produtos não sensíveis, enquanto tecnologia permanece como limite estratégico mesmo após maior aproximação entre Washington e Pequim.

A aproximação entre Estados Unidos e China ganhou uma dimensão mais prática após os dois governos concentrarem concessões comerciais em setores considerados menos sensíveis, sem estender a mesma abertura às áreas tecnológicas que permanecem estratégicas. Durante a visita de três dias de Xi Jinping, os presidentes priorizaram contatos diretos e construíram um pacote que combina redução tarifária, novos mecanismos de diálogo e continuidade das negociações bilaterais.

Trégua comercial passa a incluir concessões concretas

O novo entendimento reduz tarifas sobre US$ 30 bilhões em mercadorias de cada país, o que coloca US$ 60 bilhões em comércio bilateral sob condições mais favoráveis.

A seleção preserva de fora as áreas mais delicadas da disputa e concentra a flexibilização em produtos com menor peso para segurança econômica e liderança tecnológica.

A composição do pacote mistura brinquedos, artigos de decoração e pequenos eletrodomésticos chineses com produtos agrícolas, madeira e cosméticos de origem estadunidense.

Esse recorte permite algum alívio para importadores e exportadores sem exigir que Washington e Pequim resolvam imediatamente divergências presentes nos setores considerados mais estratégicos.

A criação de um conselho comercial acrescenta uma estrutura permanente para administrar novas discussões e acompanhar entendimentos firmados entre as duas maiores economias.

Os governos também decidiram prolongar compromissos construídos em Kuala Lumpur, o que preserva negociações anteriores como parte da atual fase de aproximação.

Essa arquitetura ganhou mais espaço depois que a trégua comercial, anteriormente prevista para terminar em 10 de novembro, recebeu uma extensão adicional de dois meses.

O prazo maior reduz a pressão por uma solução imediata e oferece aos negociadores mais tempo para trabalhar sobre pontos que permanecem fora do acordo atual.

Inteligência artificial permanece como limite da aproximação

A tecnologia mostrou com maior clareza até onde essa distensão pode avançar, porque os dois governos aceitaram aprofundar conversas sobre inteligência artificial sem anunciar integração entre seus programas.

Donald Trump afirmou posteriormente que os Estados Unidos pretendem preservar sua vantagem tecnológica e descartou uma iniciativa conjunta de desenvolvimento com a China.

O tema apareceu nas conversas com Xi, embora Trump tenha afirmado que a inteligência artificial não ocupou a maior parcela do encontro entre os dois presidentes.

A Casa Branca também informou que parte das discussões bilaterais passará a utilizar o termo superinteligência, nomenclatura que recebeu avaliação positiva do governo chinês.

Pequim defendeu a continuidade dos contatos sobre essa tecnologia, o que cria espaço para diálogo mesmo sem uma estratégia compartilhada entre as duas potências.

Dessa forma, comércio e inteligência artificial seguem trajetórias diferentes dentro da relação bilateral, com concessões materiais no primeiro campo e maior cautela estratégica no segundo.

Coordenação diplomática avança em temas internacionais

A visita também abriu espaço para compromissos que não dependem diretamente da disputa comercial, o que mostra uma tentativa de preservar canais de cooperação em fóruns multilaterais.

Estados Unidos e China acertaram apoio recíproco para as próximas reuniões da Apec e do G20, com expectativa de participação dos dois presidentes nos eventos organizados pelo outro país.

Esse tipo de coordenação oferece uma base diplomática para manter contatos de alto nível mesmo quando comércio, tecnologia e segurança continuam sujeitos a divergências importantes.

A manutenção desses encontros também cria oportunidades para que Washington e Pequim tratem de crises internacionais sem condicionar cada conversa à resolução prévia das disputas bilaterais.

Irã apareceu entre os assuntos nos quais os dois governos conseguiram apresentar uma posição convergente, com defesa do compromisso de não desenvolver armas nucleares.

O entendimento não representa uma política conjunta mais ampla para Teerã, mas revela um ponto específico no qual ambos identificaram interesse em preservar uma mesma referência diplomática.

Outra convergência alcançou a circulação marítima internacional, pois os dois lados rejeitaram a cobrança de tarifas de trânsito por países ou entidades sobre essas rotas.

Para economias profundamente ligadas ao comércio exterior, regras previsíveis de navegação possuem importância direta sobre transporte, energia, cadeias produtivas e custos de abastecimento.

Esses compromissos não encerram a competição entre Estados Unidos e China, mas mostram que a relação bilateral pode avançar por áreas específicas sem exigir uma reconciliação abrangente.

O encontro produziu, portanto, uma combinação de concessões comerciais, diálogo tecnológico limitado e coordenação diplomática seletiva em temas nos quais os dois governos identificaram interesses compatíveis.

Romário Martins

Colunista no segmento Economia e Negócios | Vice-presidente do Grupo Ideal Trends. Há mais de 19 anos, Romário tem ajudado empresas a alavancarem seu faturamento por meio da geração de demanda qualificada na web. Em sua trajetória, já ajudou a transforar o cenário de mais de 20.000 empresas.

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