Pessimismo industrial aumenta e atinge 24 de 29 setores em setembro
O pessimismo industrial avançou entre empresas de todos os portes, com as pequenas companhias registrando a maior perda de confiança no levantamento de setembro.
A indústria brasileira chegou a setembro com 21 meses consecutivos de falta de confiança, segundo o Índice de Confiança do Empresário Industrial divulgado pela CNI. Mais do que uma oscilação mensal, o resultado revela um ambiente de cautela que permanece disseminado, embora algumas regiões e atividades tenham apresentado movimentos distintos dentro desse quadro.
Nordeste segue confiante, mas outras regiões recuam
O recorte regional oferece uma das leituras mais claras do levantamento, porque apenas o Nordeste terminou setembro acima da marca que separa confiança e pessimismo.
O índice regional alcançou 51,4 pontos após avanço de 0,3 ponto, desempenho que contrasta com a perda registrada nas outras quatro regiões avaliadas.
No extremo oposto, o Sul apresentou o menor resultado entre as regiões citadas, com 42 pontos após uma redução de 0,8 ponto no mês.
O Norte também mostrou deterioração expressiva, com queda de 3,7 pontos e leitura de 44,3 pontos, enquanto o Sudeste terminou em 44,4 pontos.
O Centro-Oeste permaneceu mais próximo da linha de equilíbrio, mas ainda abaixo dela, com 48,6 pontos depois de uma redução de 1,3 ponto.
Esse contraste regional indica que a percepção dos empresários sobre a atividade econômica não evolui de maneira uniforme, embora o sentimento negativo ainda prevaleça na maior parte do país.
Pela metodologia do ICEI, resultados inferiores a 50 pontos representam falta de confiança, enquanto valores acima desse nível indicam avaliação mais favorável dos empresários.
Por essa referência, setembro manteve o Nordeste como a única região em terreno positivo, apesar de pequenas diferenças de intensidade entre os demais mercados industriais.
Pessimismo alcança setores e empresas de todos os portes
A deterioração também apareceu de forma ampla entre os segmentos industriais, já que 24 dos 29 setores acompanhados registraram redução do indicador em setembro.
Mesmo com mudanças pontuais de posição, o balanço final permaneceu concentrado no campo negativo, com 25 setores pessimistas e apenas quatro confiantes.
Dois segmentos cruzaram a linha de 50 pontos para baixo, caso de impressão e reprodução e de equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos.
Em direção contrária, calçados e suas partes e bebidas avançaram para o campo positivo, mas essas exceções não alteraram a leitura predominante do mês.
A CNI associa esse enfraquecimento a avaliações mais desfavoráveis sobre as condições atuais e também sobre as perspectivas para a economia e para as próprias empresas.
Quando essas duas dimensões perdem força ao mesmo tempo, a confiança tende a permanecer comprimida mesmo em setores que registram melhora pontual.
A diferença entre portes empresariais também ajuda a dimensionar o grau de desconforto, porque nenhuma faixa de empresa escapou da piora observada em setembro.
As pequenas empresas chegaram a 44,6 pontos após queda de 2,2 pontos, enquanto as médias recuaram para 44,9 pontos com perda de 1,1 ponto.
Nas grandes companhias, o ICEI alcançou 47 pontos depois de uma retração de 0,6 ponto, resultado que mostra um pessimismo menos intenso, porém ainda presente.
A combinação entre quedas setoriais, regionais e por porte reforça a leitura de que a confiança industrial continua fragilizada de forma ampla, mesmo com exceções localizadas dentro do levantamento.



