Indústria e Tendências

Mercado brasileiro de veículos bate recorde de vendas em setembro

Emplacamentos avançam em diferentes comparações, automóveis e comerciais leves aceleram acima do mercado total e disputa entre marcas coloca modelos chineses entre os mais vendidos.

O mercado brasileiro de veículos novos chegou a setembro de 2026 com expansão nas comparações mensal e anual, além de um volume acumulado que mantém as vendas acima do resultado observado no ano passado. Dados da Fenabrave mostram que o desempenho ganhou força mesmo sob condições de crédito ainda consideradas complexas pelas empresas do setor, cenário que aumenta a importância da concorrência entre fabricantes e dos programas recentes de estímulo.

Automóveis aceleram e setembro alcança recorde

Automóveis e comerciais leves apresentaram uma das respostas mais fortes do mercado durante setembro, com 268.721 unidades registradas e crescimento expressivo frente ao mesmo período do ano anterior.

Na comparação com setembro de 2025, esse conjunto avançou 16,16%, enquanto a passagem de agosto para setembro trouxe aumento de 2,13% nas vendas da categoria.

O desempenho desse grupo ajudou o mercado total a alcançar 509.686 veículos novos emplacados durante o mês, volume que representa o maior resultado já registrado para setembro na série da Fenabrave.

Frente ao mesmo mês de 2025, a expansão chegou a 8,32%, enquanto a comparação com agosto apresentou aumento mais moderado, equivalente a 1,15%.

A diferença entre o crescimento do mercado total e o avanço de automóveis e comerciais leves mostra que essa parcela teve participação relevante na aceleração registrada durante setembro.

Para a Fenabrave, a disputa comercial entre fabricantes e programas direcionados ao setor, como Move Brasil e Carro Sustentável, contribuíram para sustentar a procura por veículos novos.

Esse ambiente mais favorável nas concessionárias, entretanto, ainda convive com dificuldades relacionadas ao financiamento, fator importante para consumidores que dependem de crédito para realizar a compra.

A própria entidade mantém atenção sobre essas condições porque juros, aprovação de financiamento e comprometimento da renda podem limitar a continuidade da expansão nos meses seguintes.

Strada lidera ranking com disputa mais diversificada

A Fiat Strada terminou setembro na primeira colocação entre os veículos mais emplacados do país, após registrar 16.002 unidades durante o período analisado pela Fenabrave.

O Volkswagen Polo ocupou a posição seguinte com 11.095 unidades, diferença que deixou a picape da Fiat com vantagem expressiva sobre o segundo colocado.

A terceira colocação ficou com o BYD Dolphin Mini, que alcançou 9.385 unidades e apareceu à frente de modelos consolidados de fabricantes tradicionais no mercado brasileiro.

Logo depois vieram Volkswagen T-Cross, com 9.339 emplacamentos, e Volkswagen Tera, que registrou 8.725 unidades e completou as cinco primeiras posições.

A Fiat colocou outros três modelos entre os dez primeiros, com Argo na sexta posição após 8.603 unidades e Pulse na sétima com 7.150 registros.

O Mobi apareceu na décima colocação, com 6.395 unidades, resultado que ampliou a presença da montadora entre os modelos de maior volume no mês.

Entre essas posições, o Chevrolet Onix alcançou 7.133 unidades e ficou em oitavo, enquanto o GWM Haval H6 somou 6.433 registros na nona colocação.

A presença de BYD e GWM da China entre os dez mais vendidos evidencia uma composição mais diversificada do ranking, ao lado de marcas com atuação histórica no mercado nacional.

Vendas acumuladas ampliam vantagem sobre 2025

Entre janeiro e setembro, o mercado brasileiro somou 4,23 milhões de veículos novos emplacados, volume quase 15% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2025.

Esse crescimento acumulado oferece uma perspectiva mais ampla do desempenho do setor, porque reduz o peso das oscilações específicas observadas em cada mês.

A Fenabrave decidiu manter suas projeções para 2026 neste momento, mas pretende reavaliar os números em novembro depois de conhecer o comportamento das vendas durante outubro.

A entidade considera possível que grande parte dos segmentos encerre o ano acima das expectativas anteriores, embora as condições do crédito permaneçam entre as variáveis relevantes para essa avaliação.

O resultado de setembro reforça essa possibilidade ao combinar recorde para o mês, avanço sobre agosto e uma comparação anual positiva em diferentes categorias do mercado.

Ao mesmo tempo, a continuidade desse ritmo dependerá de fatores como acesso ao financiamento, intensidade da competição entre fabricantes e resposta dos consumidores aos estímulos disponíveis.

Com nove meses já contabilizados, o mercado entra na parte final de 2026 com uma base de vendas superior à registrada no ano anterior e maior diversidade entre os modelos de destaque.

Os dados de outubro deverão mostrar se o desempenho recente possui força suficiente para justificar uma revisão das projeções antes do encerramento do ano.

*Com informações Reuters e g1

Jéssica Rocha

Colunista no segmento Indústria e Tendências | Diretora de Operações com atuação direta em áreas Operacionais, Comerciais, de Marketing, Tecnologia, entre outras, sempre atenta às tendências globais que impactam a indústria, o mercado empresarial e a economia mundial.

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